Organização quer que Pentágono divulgue dados sobre mortes em Guantánamo

Washington, 17 abr (EFE).- A União de Liberdades Civis dos Estados Unidos (ACLU, sigla em inglês) apresentou hoje um processo contra o Pentágono para exigir a divulgação de todos os dados relacionados às mortes e às tentativas de homicídio e suicídio dos detidos em Guantánamo desde 2002.

EFE |

O grupo cívico informou hoje em comunicado que recorreu a essa ação legal depois que o Departamento de Defesa americano se negou a divulgar os dados solicitados através de um pedido formal feito anteriormente pela ACLU.

A organização quer todos os documentos relacionados às condições carcerárias dos detidos, em particular sobre a morte de quatro deles, que foram registradas pelo Governo americano como suicídios.

Desde a transferência de supostos terroristas à base naval dos EUA em Guantánamo em 2002 "houve dezenas de tentativas de suicídio e quatro supostos suicídios e, no entanto, o Governo Bush se nega a dizer a verdade sobre o que ocorreu, quando e, mais importante ainda, por que", criticou Hina Shamsi, advogada da ACLU.

"O segredo sobre as mortes em Guantánamo esconde da opinião pública as graves conseqüências das detenções indefinidas", disse Shamsi, insistindo em que o público "tem direito de saber o que está ocorrendo ali".

A ACLU citou reportagens que relatam greves de fome e tentativas de suicídio pouco depois que as instalações de Guantánamo começaram a receber presos, em 2002.

Em 2006, três prisioneiros teriam se enforcado e as autoridades governamentais alegaram que se tratava de "um golpe de relações públicas" dos réus, afirmou o grupo.

Mas o Governo se negou a entregar as notas de suicídio amplamente divulgadas pela imprensa americana, segundo a ACLU.

No ano passado, outro detento teria cometido suicídio e um quinto prisioneiro morreu de "causas naturais", segundo o Governo dos EUA, observou o grupo.

A versão do Departamento de Defesa é que cinco detentos faleceram em Guantánamo desde 2002 e 41 tentaram se suicidar entre 2002 e 2006.

Mas a ACLU considera que esses números não refletem o verdadeiro total de tentativas de suicídio durante esse período.

O Pentágono iniciou as investigações sobre os quatro suicídios, "mas não divulgou qualquer arquivo sobre esses e outras dezenas de tentativas de suicídios que, conforme reconhece, ocorreram" em Guantánamo, enfatizou a entidade.

Jamil Dakwar, diretor do programa de Direitos Humanos da organização, insistiu em que o Pentágono não tem justificativa para reter esses documentos e que o público americano "tem direito a uma informação verdadeira sobre as políticas de detenção e prestação de contas em Guantánamo".

A ACLU repetiu sua já mencionada advertência de que o centro de detenções em Cuba manchou a reputação dos EUA no mundo, pois no meio da controvérsia estão políticas que violam vários princípios constitucionais sobre processo e justiça.

As detenções indefinidas, a falta de uma revisão judicial independente e os abusos generalizados são provas das violações desses princípios, declarou a entidade. EFE mp/bf/db

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