Organização internacional propõe criação de Governo de unidade no Zimbábue

(Embargada até às 19h de Brasília) Johanesburgo, 20 mai (EFE).- A organização International Crisis Group se mostrou hoje a favor da criação de um Governo de unidade no Zimbábue, liderado pela oposição, aconteça ou não o segundo turno das eleições presidenciais.

EFE |

A Crisis Group, com sede em Bruxelas, na Bélgica, e dedicada à análise de conflitos no mundo todo, divulgou hoje um relatório de 15 páginas no qual descreve a crise pós-eleitoral por que passa o Zimbábue e as saídas mais convenientes para superá-la.

O documento, feito em Pretória e Bruxelas, expressa a necessidade de novos agentes na mediação sobre o Zimbábue liderada agora pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês), integrada por 14 países da região.

Essa mediação, acrescenta, deve levar a um acordo para que se evite o segundo turno do pleito, programado para 27 de junho, pois "os atuais níveis de violência e intimidação tiram a possibilidade de uma eleição limpa".

Nessa segunda rodada, o dirigente opositor Morgan Tsvangirai, do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), e o presidente Robert Mugabe, no poder desde 1980, que no primeiro turno, em 29 de março, ficaram em primeiro e segundo lugar, respectivamente, disputarão a presidência do país.

"Altos chefes militares contrários ao MDC foram decisivos para impedir uma transição democrática após as eleições de 29 de março.

Há um risco crescente de golpe antes do segundo turno ou depois da vitória de Tsvangirai", diz o documento.

Entretanto, caso a mediação internacional não ajude a evitar esse segundo turno e haja uma votação limpa, em caso de vitória do favorito Tsvangirai, "(ele) deveria formar um Governo de unidade pelo menos por um período inicial de seu mandato".

Esse Governo deveria incluir dirigentes do partido de Mugabe, Zanu-PF, uma organização "que é mais que um partido político" por seus vínculos com o aparelho de segurança, com instituições-chave e organismos vinculados à administração econômica e política.

"Mesmo com o controle do Parlamento (surgido após as eleições gerais de 29 de março), com a Presidência e com o mandato eleitoral, o MDC não poderia governar o país atualmente sem a cooperação do Zanu-PF", acrescentou o relatório.

A Crisis Group, citando dirigentes do partido governante e chefes militares que não são identificados, disse que no Zanu-PF há um "amplo consenso de que sua sobrevivência depende da imediata saída (do poder) de Mugabe".

"Se Mugabe conseguir ficar na Presidência graças à repressão política e manipulação eleitoral, enfrentará um Parlamento hostil, o aumento do descontentamento do público, a intensificação da pressão internacional e um crescente isolamento", disse.

Segundo a organização, existem setores do partido, do Governo e das Forças Armadas que, depois das eleições de 29 de março, fizeram um acordo com a oposição para evitar a volta às urnas.

Porém, os "falcões" do regime de Mugabe, liderados pelo ministro da Habitação Rural, Emmerson Mnangagwa, figura-chave na segurança do Zimbábue nos anos 80, convenceram Mugabe a concorrer no segundo turno.

Essas discussões, segundo o documento, aconteciam enquanto o país esperava os resultados das eleições presidenciais de 29 de março, que foram divulgados mais de um mês depois, quando já estava definido o plano a seguir.

"Quando a estratégia de Mugabe e Mnangagwa foi acordada, a violência promovida pelo Estado aumentou dramaticamente e a catastrófica situação humanitária se deteriorou", acrescentou a organização.

A oposição denunciou que muitos de seus partidários foram assassinados desde as eleições e centenas de seus militantes foram detidos.

Desde então, Tsvangirai vive fora do país por razões de segurança. EFE ag/rb/plc

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