Washington, 18 jun (EFE).- Os Estados Unidos abusaram e torturaram supostos terroristas no Iraque, no Afeganistão e na prisão de Guantánamo, em Cuba, afirmou hoje o grupo Médicos pelos Direitos Humanos (DHR, em inglês) em um relatório.

O relatório disse que, nas avaliações clínicas de onze ex-detidos, os médicos encontraram provas de torturas, inclusive golpes, choques elétricos, privação do sono, humilhação, violação sexual e dezenas de outros abusos.

Uma comissão do Senado que investiga os métodos de interrogatório aplicados pelos militares dos EUA divulgou documentos que indicam que a CIA (agência de inteligência americana) diz ao Pentágono que eram aceitáveis os métodos que, segundo as leis internacionais, constituem tortura.

O DHR, com sede no estado americano de Massachusetts, afirmou em seu relatório que os homens que estiveram sob custódia das forças dos EUA e depois foram soltos nunca foram acusados de crimes.

"Encontramos provas físicas e psicológicas claras de tortura e abuso que causaram, freqüentemente, longos sofrimentos", disse Allan Keller, um dos médicos que fizeram as avaliações.

Desde que as fotografias de prisioneiros submetidos a abusos na prisão iraquiana de Abu Ghraib foram divulgadas, a administração do presidente americano, George W.

Bush, negou que sua política consistia na humilhação de prisioneiros, e emitiu várias diretrizes que, supostamente, limitam o uso de técnicas violentas de interrogatório.

O relatório do DHR diz que, já que seus membros só examinaram onze ex-reclusos, "as conclusões dessa avaliação não podem ser generalizadas ao tratamento de todos os detidos sob custódia dos EUA".

No entanto, acrescenta que os incidentes documentados coincidem com as conclusões de outras investigações e fica fácil "concluir que esses detidos não foram os únicos abusados, mas representam um número muito maior de detidos submetidos à tortura e maus-tratos sob custódia americana".

Quatro dos homens examinados foram capturados no Afeganistão entre o final de 2001 e início de 2003, e depois enviados a Guantánamo, onde permaneceram em média por aproximadamente três anos.

Os outros sete foram detidos no Iraque após a invasão americana, em 2003, e libertados um ano depois, explica o relatório.

Todos os ex-detidos contaram aos médicos que foram submetidos a múltiplas formas de tortura e humilhações que "freqüentemente ocorreram em combinação ao longo de um período extenso", destaca o relatório. EFE jab/wr/rr

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