Organismos vivos se desenvolveram de acordo com a evolução geológica do planeta

A vida na Terra passou em 3,5 bilhões de anos de uma simples célula microscópica às sequóias gigantes ou às baleias azuis em dois períodos de tempo bastante breves e vinculados à evolução geológica do planeta, segundo estudos divulgados pelos Anais da Academia Nacional de Ciência dos Estados Unidos (PNAS).

AFP |

A pesquisa contradiz a hipótese comumente aceita pelos biólogos segundo a qual a vida evoluiu lentamente a partir de um microorganismo unicelular para organismos multicelulares complexos.

"Ficamos surpresos de observar que quase todo aumento de tamanho ocorreu em dois intervalos de tempo distintos", afirma Michal Kowalewski, co-autor do estudo e professor de geociência da Universidade Virginia Tech.

"Além disso, estes intervalos serviram para dois eventos importantes de oxigenação da atmosfera terrestre", acrescentou o cientista.

"O mais interessante é que cada um desses 'lapsos' correspondem a períodos da história da vida marcados por uma evolução da complexidade biológica: o primeiro é o aparecimento da célula eucariota e o segundo o desenvolvimento da vida multicelular", afirma a pesquisadora Jennifer Stempien, outra co-autora do estudo.

A célula eucariota sucedeu à célula chamada procariota, que foi a primeira forma de vida. Esta última é a mais simples, carece de núcleo definido e se reproduz por divisão.

As células eucariotas, em compensação, são muito maiores e avançadas, com material genético (DNA) contido em seu núcleo. Precisam de oxigênio para sobreviver e se reproduzem sexualmente, tendo evoluído neste processo para se adaptar a seu meio ambiente.

Nos primeiros 1,5 bilhão de anos da história documentada da vida na Terra (de 3,5 bilhões) só foram encontrados fósseis de bactérias simples, que não cresceram até que se desenvolvessem organismos mais complexos há cerca de dois bilhões de anos.

No entanto, antes disso ocorreu outro fenômeno-chave. Há mais de 3 bilhões de anos, as bactérias primitivas "inventaram" a fotossíntese, com a qual puderam utilizar a luz do Sol e o dióxido de carbono (CO2) para se alimentar.

Estas bactérias lutavam para sobreviver em oceanos pobres em oxigênio, assim como a atmosfera. E como acontece com as plantas hoje em dia, essas bactérias proporcionaram oxigênio aos oceanos e depois a atmosfera graças à fotossíntese. O oxigênio liberado tornou possível a evolução de estruturas celulares mais complexos, o que marcou o aparecimento da célula eucariota.

Em 200 milhões de anos, os organismos passaram de microscópicos a seres como tamanho de uma moeda.

Foi somente quando ocorreu outro grande aumento nos níveis de oxigênio, há 540 milhões de anos, que a vida se desenvolveu em formas multicelulares.

Atualmente, animais marinhos como as baleias azuis ou plantas gigantes como a sequóia superam os tamanhos dos dinossauros de maior porte.

js/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG