Ordem religiosa defende atuação no Brasil de padre acusado de abuso nos EUA

A ordem religiosa à qual pertence o padre que trabalhou com crianças no Brasil enquanto era acusado de abuso sexual infantil nos Estados Unidos disse nesta sexta-feira à BBC Brasil que não tem conhecimento de outras alegações contra ele. Mario Pezzotti, que hoje tem 75 anos e vive em Parma, na Itália, estava entre os 30 religiosos que foram mandados a outros países após acusações de pedofilia contra eles, de acordo com levantamento realizado pela agência de notícias Associated Press e divulgado na quinta-feira.

BBC Brasil |

De 1970 a 2003, o religioso trabalhou com crianças da tribo caiapó, no Pará. Em 2008, ele voltou ao Brasil, e depois foi novamente transferido, desta vez para a Itália.

Em entrevista à BBC Brasil, o vigário-geral da Ordem dos Xaverianos em Roma, Luigi Menegazzo, disse que a entidade agiu "conforme as regras" no caso de Pezzotti.

"A congregação agiu segundo as normas que nos deram. Tentamos colaborar todos juntos para o bem de todos, tentando ser claros diante da sociedade e da Igreja. Padre Pezzotti voltou do Brasil já faz tempo e lá não há qualquer acusação contra ele", afirmou.

'Retiro'
Em 1993, Pezzotti foi acusado pelo americano Joseph Callander de abusos e estupro que teriam ocorrido em 1959, quando era aluno em um colégio xaveriano no Estado americano de Massachussetts.

O caso foi encerrado com o pagamento de US$ 175 mil de indenização à vítima.

Procurada pela BBC Brasil, a sede central da Ordem dos Xaverianos, em Parma, disse que Pezzotti está em "retiro espiritual" e não comenta o assunto.

A associação antipedofilia italiana Prometeo pede que o padre seja removido de seu cargo.

"Num momento histórico particular como este, pedimos que Dom Pezzotti seja removido de qualquer cargo pastoral e seja expulso do sacerdócio. É impensável que um sujeito como este possa representar Deus entre os homens", afirmou o presidente da entidade, Massimiliano Frassi.

O vice-diretor de imprensa da Santa Sé, padre Ciro Benedettini, disse à BBC Brasil que o Vaticano não tem controle de tudo o que acontece nas dioceses, e que as transferências de sacerdotes são feitas pelos bispos locais e pelas congregações.

Benedettini reconheceu que não tem conhecimento profundo dos casos envolvendo sacerdotes acusados de ter cometido abusos sexuais contra menores nos Estados Unidos e depois transferidos para vários outros países, entre eles o Brasil.

"A Justiça está seguindo seu curso e vamos ver como os casos vão se desenvolver", afirmou.

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