Ordem dos Advogados de Portugal critica Polícia no caso Madeleine

Lisboa, 15 abr (EFE).- O presidente da Ordem dos Advogados de Portugal, Antonio Marinho e Pinto, disse hoje que a Polícia não reconheceu a falta de avanços no caso Madeleine McCann, a menina britânica desaparecida em Portugal em maio de 2007.

EFE |

"Chegou a um ponto sem saída e (a Polícia) não soube admitir", disse Marinho e Pinto a respeito da investigação policial sobre Madeleine, que desapareceu de um apartamento do Algarve (sul de Portugal) enquanto seus pais jantavam com amigos em um restaurante próximo.

Marinho e Pinto disse aos correspondentes internacionais que a Polícia Judiciária, encarregada do caso, se dedicou durante os primeiros meses de investigação a enviar mensagens através da imprensa sobre quem eram os supostos culpados.

O presidente da Ordem dos Advogados afirmou que nesse período as manchetes da imprensa davam a entender que os pais da menina, Gerry e Kate McCann, participaram do desaparecimento de Madeleine.

"As manchetes deixavam entrever que os pais eram os culpados", declarou, após dizer que "os maus policiais são aliados privilegiados dos maus jornalistas".

Marinho e Pinto ressaltou que o problema reside, em parte, em que em Portugal "se investiga muito para os jornais", além de haver, em alguns casos, "atritos" por competição entre os diferentes corpos de segurança do país.

O advogado também denunciou que a Justiça de Portugal não está centrada nos problemas que afetam a sociedade portuguesa atual, já que seus modelos correspondem a formas obsoletas, de décadas atrás.

"A Justiça vive voltada para si mesma", disse, destacando que 99% dos cidadãos portugueses são incapazes de entender o sentido das sentenças emitidas nos tribunais.

Marinho e Pinto também denunciou que muitos dos magistrados ativos nos últimos anos passaram da Revolução dos Cravos, que provocou, em 25 de abril de 1974, a queda do regime de Antonio de Oliveira Salazar, para a democracia "sem responder por suas atrocidades".

Para o presidente da Ordem dos Advogados, o progresso do país está ligado à Justiça e, se ela não conseguir níveis razoáveis de funcionamento, Portugal também não poderá se desenvolver plenamente em outras áreas.

O advogado denunciou que um dos principais problemas de Portugal é a corrupção existente em diferentes âmbitos da vida nacional e criticou comportamentos pouco éticos de organizações públicas e privadas.

O ex-ministro de Obras Públicas Jorge Coelho, que negociou grandes concessões, acaba de ser nomeado presidente da principal construtora do país, a Mota-Engil, advertiu Marinho e Pinto. EFE arm/wr/db

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