Plano de orçamento de Obama vai buscar maior tributação de ricos

Orçamento entregue hoje ao Congresso deve causar uma briga intensa entre republicanos e democratas em pleno ano eleitoral

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, entregou nesta segunda-feira sua proposta de orçamento para o ano fiscal de 2013, em que defende o aumento da tributação sobre grandes fortunas - um plano que, certamente, provocará uma luta com os republicanos em pleno ano eleitoral .

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Cópias do orçamento federal de 2013 de Barack Obama chegam ao comitê de orçamento no Capitólio, Washington

Enquanto as autoridades do governo defendem o plano, afirmando que sua abordagem é equilibrada, os republicanos subestimam os esforços, dizendo que o orçamento é outra política fracassada que faz muito pouco para atingir os custos elevados e ameaça o crescimento com o aumento de impostos.

O plano do presidente tem como objetivo cortar o déficit federal em US$ 4 trilhões na próxima década por meio da restrição dos gastos do governo e do aumento da tributação das grandes fortunas. Para ajudar uma economia fraca, o presidente pede mais dinheiro - cerca de US$ 100 bilhões - em investimentos para projetos nas áreas de transporte e educação, com contratação de professores e reformas de escolas.

O orçamento deve ser acordado entre a Casa Branca e o Congresso. O debate deve prosseguir até o dia da eleição, em novembro, com o impasse mantendo o Congresso ocupado até uma sessão ao fim do ano. Esse é o período entre os resultados da eleição de novembro e janeiro, quando as autoridades recém-eleitas assumem seus assentos no Congresso.

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O plano de gastos para o orçamento anual que começa em 1º de outubro faz uma projeção de déficit para esse ano de US$ 1,33 trilhão. Isso significaria quatro anos consecutivos de déficits trilionários.

O orçamento projeta um declínio do déficit de US$ 901 bilhões em 2013 e para US$ 575 bilhões em 2018. Os republicanos dizem que o plano de Obama era um lembrete de que o presidente democrata não cumpriu com a promessa que fez ao tomar posse em 2009, de cortar o déficit pela metade até o fim do seu primeiro mandato.

"Parece que o presidente decidiu de novo fazer campanha em vez de governar", disse o republicano Paul Ryan, presidente do comitê de orçamento, em entrevista. "Ele só vai diminuir a responsabilidade de lidar com os problemas fiscais desse país."

Ryan está preparando uma alternativa para o orçamento de Obama que será semelhante à medida aprovada pelo Congtresso no ano passado, que, no entanto, não passou pelo Senado.

Mas Jack Lew, chefe do gabinete de Obama, disse que o governo teve de lidar com uma recessão profunda e um desemprego recente que havia elevado mais os déficits do que as previsões antecipavam. Ele acrescentou que o plano de Obama cortaria o déficit abaixo dos 3% do Produto Interno Bruto (PIB), para níveis que os economistas no geral consideram sustentáveis.

Ele disse que cortes de déficit acelerados retrocederiam uma economia que continua a lutar contra altas taxas de desemprego. Lew, antigo chefe de orçamento de Obama, também disse ser importante que o Congresso concorde com a prorrogação do corte de impostos na folha de pagamento que expira no final de fevereiro. Se o Congresso não fizer isso, segundo ele, a economia pode ser atingida mais uma vez.

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Lew culpou os republicanos por pressionar por medidas extremas em vez de tentar alcançar um consenso com os democratas e evitar as crises que prejudicaram os mercados financeiros em 2011.

O plano de Obama prevê o fim das taxas fiscais reduzidas para famílias que ganham US$ 250 mil ou mais aprovadas pelo governo de George W. Bush (2001-1009)  - que de qualquer forma, independente de quem estiver na Casa Branca, expiram em 1º de janeiro de 2013. O presidente também colocaria uma taxa de ao menos 30% para famílias que ganham mais de US$ 1 milhão anualmente.

Em um toque populista, para a próxima década, o orçamento de Obama cobraria um novo imposto de US$ 61 bilhões em instituições financeiras, em um esforço para recuperar os custos do resgate financeiro. Também levantaria US$ 41 bilhões em cortes de benefícios fiscais para empresas de petróleo, gás e carvão.

Com AP

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