Orações e controvérsias no 90º aniversário da execução do czar

Fiéis ortodoxos e descendentes da dinastia dos Romanov vão se reunir esta semana em Ekaterimburgo (oeste da Rússia) para prestar uma homenagem ao último czar da Rússia, Nicolas II, e a sua família, executados há 90 anos em um episódio que suscitou uma grande polêmica no país.

AFP |

A cidade de Ural (centro) começou a se transformar domingo em local de peregrinação para todas as pessoas que querem recordar o massacre da família imperial pelos bolcheviques durante a Revolução de 1917.

A principal cerimônia deve ser realizada quinta-feira no mesmo local em que o soberano, sua esposa Alexandra, seus cinco filhos, três de seus criados e um médico foram executados pela Tcheka, a polícia política de Lenine, no dia 17 de julho de 1918.

Depois de um ato religioso noturno, os peregrinos andarão 18 km para ir à mina abandonada onde os corpos foram deixados até serem parcialmente dissolvidos com ácido.

"No passado, na época soviética, as pessoas se gabavam de morar na cidade em que o czar foi executado. Agora, é o contrário", comentou recentemente o arcebispo Vikenti de Ekaterimburgo.

"As pessoas se deram conta de que (a execução) foi uma tragédia", ressaltou.

Outra cerimônia também será realizada em Alapayevsk, 150 km ao norte de Ekaterimburgo, onde foram assassinados outros seis parentes do czar e seus serventes.

Uma descendente da dinastia dos Romanov, a Grã-duquesa Maria Vladimirovna, que vive em Madri e afirma ser a herdeira de Nicolau II, assistirá às cerimônias na Rússia.

Na semana passada, ela recorreu a uma corte de apelações russa para que a execução da família imperial seja qualificada oficialmente de crime político.

"A negação da reabilitação dos Romanov parece mostrar que algumas forças querem preservar os piores elementos do regime comunista", considerou Alexander Zakaitov, um assistente de Maria Vladimirovna.

A sorte dos Romanov segue sendo um tema sensível na Rússia, onde muitos padres ortodoxos sonham com o restabelecimento da monarquia, disse o especialista religioso Serguei Filatov, membro da Academia russa das Ciências.

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