OPS diz que pode haver entre 50 mil e 100 mil mortos no Haiti

Washington, 15 jan (EFE).- O subdiretor da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), Jon Andrus, afirmou hoje que diversas fontes calculam que haja entre 50 mil e 100 mil mortos no Haiti, devastado por um terremoto na última terça-feira.

EFE |

Andrus disse, no entanto, que os números são apenas "suposições", e que, no momento, uma das ameaças mais graves à saúde dos sobreviventes são as doenças infecciosas gastrintestinais.

"Quero deixar bem claro que não sabemos. Não temos informações.

Devemos reconhecer o que sabemos e o que não sabemos, e neste momento, não sabemos", indicou.

Representantes da Cruz Vermelha haitiana tinham afirmado ontem que entre 40 mil e 50 mil pessoas podem ter morrido em consequência do terremoto de 7 graus na escala Richter que devastou a capital haitiana, Porto Príncipe, e que deixou 3 milhões de desabrigados, incluindo feridos e pessoas sem casa.

"Os surtos de diarréia são um grande problema e é por isso que a água potável tem tanta prioridade", acrescentou.

O subdiretor da OPS disse que a existência de milhares de corpos sob prédios destruídos em estado de putrefação não é a ameaça mais grave à saúde pública.

"Os corpos, por si só, não são um perigo significativo para um surto de epidemia", disse Andrus. "Temos tempo para conduzi-los com respeito, de modo que as famílias possam saber o que ocorreu com seus entes queridos".

"É preciso ter respeito com os mortos e com os aspectos culturais", acrescentou.

"A ideia que devem ser recolhidos imediatamente e sepultados em fossas coletivas para evitar epidemias, não se sustenta na experiência em catástrofes deste tipo", indicou.

Ontem foi divulgado, por informação fornecida pelo presidente René Préval, que 7 mil foram enterrados "nas últimas horas".

Andrus disse que muito pior que os corpos são as diarréias, doenças respiratórias e doenças virais.

O terremoto de 7 graus na escala Richter ocorreu às 19h53 de Brasília da terça-feira e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. A Cruz Vermelha do Haiti estima que o número de mortos ficará entre 45 mil e 50 mil.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, elevou hoje para 17 o número de brasileiros mortos no país - considerando as mortes de Luiz Carlos da Costa (da ONU) e de outro brasileiro não identificado -, segundo informações da "Agência Brasil".

Desse total, 14 são militares e foram confirmados pelo Exército brasileiro como integrantes da Força de Estabilização do Haiti (Minustah).

A brasileira Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, também morreu no tremor.

EFE jab/dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG