OPS diz que apenas 10% dos argentinos receberão vacina contra gripe

Buenos Aires, 26 ago (EFE).- Só o 10 % dos habitantes da Argentina receberá a vacina contra a gripe A, segundo declarações da diretora da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), Mirta Roses, publicadas hoje pela imprensa local.

EFE |

Roses, de nacionalidade argentina, explicou em entrevista ao diário Clarín que algo similar ocorrerá no resto das nações latino-americanas afirmando que "nenhuma vacina se dá a toda a população e a nova vacina da gripe não será exceção".

"Há nove laboratórios produtores da vacina no mundo. Se tinha estimado que estivesse pronta em setembro, mas houve dificuldades tecnológicas que levaram ao atraso. Supostamente, estaria disponível em novembro", detalhou.

O número de mortos pela gripe na Argentina, o segundo país do mundo em quantidade de mortes depois dos Estados Unidos, chegou a 439, segundo o último relatório do Ministério da Saúde, insistindo que a pandemia é "decrescente".

"O vírus da gripe foi detectado em abril e em menos de um ano teremos uma vacina, nunca antes se alcançou este avanço", destacou a diretora da OPS, que no entanto advertiu que "a produção de vacinas tem limites".

"Haveria capacidade para produzir entre 80 e 90 milhões de doses semanais. Os laboratórios seguem produzindo a vacina contra a gripe estacional e começaram a produzir a nova vacina contra a gripe pandêmica" disse.

Apesar de esclarecer que a distribuição da vacina "é uma questão que ainda se está analisando", Roses avaliou que "haveria prioridade para o pessoal de saúde, como médicos e enfermeiros", além das "pessoas que pertencem a grupos de risco, como as grávidas, os obesos suaves, daqueles com problemas de imunidade, entre outros".

"A Argentina e os outros países que fazem parte da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) adotaram uma boa decisão: não competirão entre si para comprar a vacina. Irão comprá-la através do fundo rotatório da OPS", comentou.

Nessa ordem, manifestou que "os países mais pobres" da região, "como o Haiti e Bolívia, receberão a vacina por parte dos laboratórios, que se comprometeram a doar até 20 % de sua produção".

Quanto à situação atual da pandemia, disse que "o vírus se expandiu em quase todo o mundo: 177 países confirmaram sua presença", mas afirmou que em nações "como a Argentina, Chile e Austrália está caindo o número de infectados".

Roses assegurou que não acredita que se tenha exagerado sobre as consequências da gripe e considerou que "é preferível pôr o alerta máximo antes que lamentar mais tragédias", já que "é um vírus novo e é preciso enfrentá-lo seriamente".

"Poderia produzir-se uma segunda onda. Isso já aconteceu em outras pandemias", alertou.

Já sobre a dengue, a diretora da OPS criticou também que "houve muita complacência com a dengue durante os últimos 20 anos, ainda que houvesse a advertência de que estava aumentando na América Latina".

"Não podemos seguir chegando tarde: agora temos que passar de lutar só contra a doença e combater antes ao mosquito" transmissor do vírus, acrescentou. EFE hd/fk

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