Opostos se atraem na busca por parceiro, diz estudo brasileiro

LONDRES - Na hora de escolher um parceiro, os opostos de fato se atraem, de acordo com um estudo brasileiro que descobriu que as pessoas subconscientemente tendem a escolher alguém cuja constituição genética seja diferente da sua.

Reuters |

Maria da Graça Bicalho e seus colegas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) encontraram evidência de que os pares casados têm maior probabilidade de apresentarem diferenças genéticas numa região do DNA que controla o sistema imunológico do que os casais escolhidos ao acaso.

Provavelmente essa tendência é uma estratégia evolucionária para garantir uma reprodução saudável, pois a variabilidade genética consiste em uma vantagem para a prole, relataram os pesquisadores.

"Embora seja tentador pensar que os humanos escolhem os parceiros por causa de suas similaridades, nossa pesquisa mostrou claramente que são as diferenças que produzem uma reprodução bem-sucedida, e que o impulso subconsciente para ter filhos saudáveis é importante na hora de escolher um parceiro", disse Bicalho num comunicado.

Os cientistas disseram que não estava claro quais seriam os sinais das pessoas geneticamente dissimilares que exerciam a atração, mas sugeriram que o odor corporal ou mesmo a estrutura da face poderiam influenciar.

Muitos pesquisadores encontraram evidência de que os animais sentem atração pelos membros do sexo oposto com diferenças no complexo principal de histocompatibilidade (MHC, da sigla em inglês), um fator do sistema imune que também desempenha um papel na produção de uma prole saudável.

Bicalho, cuja apresentação do estudo na conferência da Sociedade Europeia de Genética Humana, em Viena, estava prevista para esta segunda-feira, disse que a equipe comparou informações genéticas de 90 casais casados com informações de 152 casais formados ao acaso, como controle.

Eles descobriram que os casais verdadeiros tinham significativamente mais dissimilaridades no MHC.

"Pais com (regiões genéticas) dissimilares poderiam proporcionar à sua prole uma chance melhor de se proteger contra infecções porque os seus genes do sistema imune são mais diversos", escreveram eles em um sumário preparado para o encontro.

"Se os genes MHC não influenciassem a seleção do parceiro, esperaríamos observar resultados similares em ambos os grupos de casais. Mas descobrimos que os parceiros reais tinham dissimilaridades mais significativas do que esperaríamos encontrar simplesmente ao acaso", disse Bicalho.

Estudos anteriores sugeriam que os animais devem usar o odor corporal como guia para identificar possíveis parceiros como geneticamente similares ou dissimilares, acrescentou ela, mas outros fatores físicos também podem estar envolvidos.

"Outras pistas como simetria facial podem desempenhar um papel também, mas elas ainda estão no campo da especulação", afirmou.

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