Opositores se preparam para desbancar Ahmadinejad em eleições

Javier Martín. Teerã, 9 mai (EFE).- Encerrado hoje o primeiro trâmite eleitoral, os principais adversários de Mahmoud Ahmadinejad partem com um objetivo comum, sejam eles reformistas ou conservadores moderados: evitar que a reeleição do atual presidente iraniano termine de afundar o país e, paradoxalmente, abale os princípios da revolução.

EFE |

Agarrados nessa ideia, os dois pró-reformistas com mais apoio registraram este sábado seus nomes como candidatos às eleições do próximo dia 12 de junho.

Tanto o presidente do Parlamento, Mehdi Karroubí, como o ex-primeiro-ministro Mir Hussein Mousavi, aproveitaram sua obrigada passagem pelo Ministério do Interior para voltar a criticar de forma dura o líder ultraconservador, que acusam de nefasta gestão econômica e de ter "enegrecido" a imagem externa do país.

Karroubí, considerado um dos arquitetos do movimento reformista, disse que sua meta é reconstruir a economia nacional, promover o emprego e recuperar a confiança da comunidade internacional.

Nesse sentido, Karroubí ressaltou que se chegar à Presidência estaria disposto, inclusive, a se reunir com o presidente americano, Barack Obama.

Em recente entrevista concedida à Agência Efe, seu vice, Rasul Montayabniah, reiterou que a era Ahmadinejad destruiu os avanços conseguidos nos anos anteriores e que um segundo mandato suporia um perigo para a estabilidade da república.

Na mesma linha se colocou Mousaví, para quem está em jogo o futuro da própria revolução.

O ex-primeiro-ministro, que esteve afastado da principal cena política durante 20 anos, assegurou hoje que "vê em perigo todas as conquistas da revolução islâmica".

Para ele, a gestão de Ahmadinejad conduziu o Irã rumo ao desastre e se impõe a necessidade de empreender um programa de "reformas tradicionalistas" que salve o regime.

"Me apresento para defender os valores que estão sendo perdidos.

Trabalharei para favorecer a criação de emprego e potencializar a indústria nacional", afirmou hoje.

Mousavi, que dirigiu o Governo durante a década posterior ao triunfo da revolução e os difíceis anos da guerra com o Iraque (1980-1988), recorreu a seu passado revolucionário como garantia de que a reforma que promove estará dentro dos princípios do regime.

Em uma tática que tem como objetivo atrair o amplo setor da população que navega entre o conservadorismo moderado e o brando "aberturismo", renunciou hoje ao rótulo de reformista, que gera certas suspeitas entre grande parte do eleitorado, e se definiu como "independente".

Segundo analistas locais, o ex-primeiro-ministro é quem mais possibilidades tem de contestar nas urnas a vantagem com a qual parece partir o atual presidente.

A pouca distância aparece a figura de Karroubí, homem do regime, fiel seguidor do fundador da República Islâmica, o aiatolá Ruhollah Khomeini, que foi perseguido e preso durante a monarquia Pahlevi.

Contra ele há, no entanto, a idade, 72 anos, e a suposta linha radical de algumas de suas propostas.

A política de Ahmadinejad também criou rejeição entre alguns setores da corrente tradicionalista, especialmente entre os conservadores moderados.

Seu principal representante nas eleições será o ex-comandante do poderoso corpo de elite dos Guardiães da Revolução, Mohsen Rezaei, que também atacou com contundência a gestão econômica do presidente.

Rezaei, que segundo os analistas conta com poucas chances de vitória, ressaltou no domingo passado que se "a era Ahmadinejad continuar", o país vai para o "abismo".

A corrente conservadora, que se apresentou praticamente unida às eleições de 2005, atravessa na atualidade um momento de turbulência.

A oferta de reconciliação de Barack Obama semeou inquietação e correntes de divisão entre os setores mais conservadores e mais moderados.

Segundo analistas, o resultado do pleito será o melhor termômetro para saber as intenções do regime.

A priori, tudo aponta para que Ahmadinejad se reeleja, como fizeram todos os presidentes do período revolucionário no Irã.

Embora Karroubí tenha tentado hoje questionar essas chances ao ressaltar que pela primeira vez um chefe de Estado enfrenta a possibilidade real de não se reeleger.

Uma vez concluído o primeiro trâmite, será o Conselho de Guardiães quem decidirá que candidatos são aptos e podem concorrer na campanha eleitoral, que começa em 22 de maio. EFE jm/rr

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