Opositores pedem que Chávez vire a página e una a Venezuela

Desafio de presidente venezuelano para referendo que teste sua popularidade foi rejeitado por oposição

EFE |

Líderes opositores venezuelanos pediram nesta terça-feira ao presidente Hugo Chávez que "vire a página" após as eleições legislativas do último domingo e faça um chamado a todos os setores do país para trabalhar "unidos" pelo bem da Venezuela.

Dois dias depois das eleições parlamentares, membros da Mesa de Unidade Democrática (MUD) ressaltaram que, apesar de o governo ter obtido mais deputados, essa coalizão opositora conseguiu obter a maioria dos votos nacionais, uma ideia que já foi rejeitada e qualificada de "mentirosa" por Chávez.

O governo conseguiu 98 das 165 cadeiras da Assembleia Nacional e, com isso, manteve a maioria parlamentar que ostenta desde 2005, mas perdeu o controle que tinha na Câmara, enquanto a oposição elegeu 65 deputados no domingo.

"Com todo respeito, presidente, vire a página. Ainda há dois anos pela frente (de mandato de Chávez). Todos querem que dedique seu esforço e seu tempo para unir a Venezuela. Deixemos o mau humor, o despeito", declarou o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles Radonski, em discurso à imprensa.

AFP
Os líderes da oposição venezuelana, Capriles Radonski (E), Maria Corina Machado, Wiliam Ojeda e Julio Borges
Segundo Capriles, o presidente venezuelano "não quer" entender os resultados das eleições nas quais, segundo ele, "o povo mostrou que quer mudança" no governo do país.

O governador destacou que o "avanço" da oposição em Miranda - onde tanto governo quanto oposição elegeram seis deputados - e em todo o país não ficou plenamente evidenciado nos resultados e acrescentou que a lei eleitoral vigente "não representa" fielmente "a proporcionalidade de voto".

"Em todas as partes do mundo dois e dois são quatro, menos na Venezuela", disse o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, em um ato junto aos três deputados opositores escolhidos pelo Distrito Capital, onde o Governo obteve outras sete cadeiras.

Socialismo

Ledezma destacou que os resultados das eleições demonstram que o presidente venezuelano e promotor do socialismo do século 21 "está ficando sem o povo".

"Se ele não quiser aceitar o resultado como uma derrota, que o aceite como uma lição", acrescentou Ledezma, para quem após a vitória de domingo "começa a luta" para que os setores opositores consigam "ganhar o respeito e a confiança de todos os venezuelanos".

Na noite de segunda-feira, Chávez defendeu a "sólida vitória" do seu Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) nas parlamentares, e qualificou de "mentirosa" a afirmação da oposição de que obteve mais votos que o governo a nível nacional.

O presidente venezuelano também defendeu o sistema de eleição do país em seu conjunto e disse que "o eleitoral é um dos poderes do Estado que mais se consolidou" nos últimos anos.

Desafio

Ledezma e Capriles ignoraram o desafio lançado por Chávez à oposição para que convoque um referendo revogatório para ver se podem tirá-lo da Presidência antes do final de seu terceiro mandato consecutivo, que termina em 2012.

O governador de Miranda destacou que a oposição "não vai perder nem um minuto com isso", pois o importante agora "é se dedicar a trabalhar" pelo país. "Não nos convide para outro confronto, convide-nos para trabalharmos juntos contra a crise dos hospitais, de insegurança, da habitação. Comece a trabalhar pelo país", disse Ledezma.

Os dois opositores também descartaram centrar as atenções para as eleições presidenciais de 2012.
"Eu só asseguro que a alternativa democrática terá uma candidatura unitária que será invencível em 2012", declarou Ledezma.

Por sua vez, Capriles, apresentado ontem pelo dirigente do partido Primeiro Justiça, Julio Borges, como aspirante às próximas eleições presidenciais, afirmou que não é "nem candidato, nem pré-candidato".

"Este não é o momento". E quando chegar o momento de escolher o candidato "isso deveria ser feito por eleições primárias", acrescentou.

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