Opositores bolivianos ocupam usina que distribui gás para o Brasil

LA PAZ - Grupos opositores civis ocuparam nesta terça-feira uma usina de distribuição de gás natural para o Brasil, numa localidade do Chaco boliviano, informou um executivo da companhia privada Transierra, encarregada da administração.

Redação com agências internacionais |

"Grupos civis invadiram nesta terça-feira nossa usina de Taihuasi (no povoado de Villamontes, 1.200 km a sudeste de La Paz) e foram enviados técnicos para avaliar a situação e ver se houve danos", afirmou o assessor de Relações Institucionais da Transierra, Hugo Muñoz.

Nos últimos dias, opositores do presidente Evo Morales têm ameaçado interromper o fornecimento de gás para Brasil e Argentina, enquanto integrantes do governo têm afirmado que o transporte do produto não será afetado.

Para o Brasil, a Bolívia exporta hoje 31 milhões de m3 diários de gás, somente para o mercado de São Paulo.

Ontem, a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que os problemas internos da Bolívia não afetarão as exportações de gás natural para o Brasil .

A diretora acrescentou que o único problema no fornecimento de gás na Bolívia aconteceu há cerca de dois anos, quando um deslizamento de terra afetou as tubulações. "Não temos nenhum sinal forte, inequívoco, de que possamos perder uma molécula de gás sequer", afirmou.

Crise política

No turbilhão de uma renovada crise política, opositores ao governo Morales bloqueiam estradas e ocupam prédios públicos em protesto contra o corte no repasse de verbas do setor petroleiro. O governo argumenta que os recursos são usados para pagamento de benefício aos aposentados.

Em meio a um clima tenso, o chefe das Forças Armadas, general Luis Trigo, disse à imprensa boliviana que os prefeitos (governadores) das regiões que realizam manifestações devem "dialogar" com o governo.

"Pedimos o diálogo e que se evitem enfrentamentos", afirmou. "Temos que proteger áreas vitais do país, como a infra-estrutura, os recursos energéticos. Por isso, pedimos cabeça fria para negociar. E vamos evitar os enfrentamentos porque o pior seria que ocorram mortes."

Na segunda-feira, representantes da oposição, como o presidente da União Juvenil Cruzenha, David Sejas, disse à BBC Brasil que havia disposição de "enfrentar" os militares para se chegar às válvulas que garantem o abastecimento de gás a Brasil.

O mesmo foi repetido, mais tarde, por outros representantes da oposição no Departamento (Estado) de Santa Cruz, reduto da oposição a Morales.

"Se não tivermos outra alternativa, se o governo insistir em não repassar estes recursos e mudar a Constituição, vamos, sim, para o enfrentamento (contra militares que fazem a segurança das regiões gasíferas)", disse um deputado opositor, em entrevista a uma das emissoras de rádio da Red Erbol, de La Paz.

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