Opositores ao governo de Hugo Chávez formam bloco político unitário

A oposição ao governo do presidente venezuelano Hugo Chávez formou neste domingo uma frente política unitária, cujo principal objetivo é impedir a consolidação de um projeto totalitário e convocou uma manifestação em Caracas para 1o. de maio, dia do Trabalho.

AFP |

A Frente Unitária Nacional pela Defesa da Democracia busca "impedir o projeto totalitário de converter todos os venezuelanos em escravos do Estado. Se esse projeto for consolidado, não apenas se tirará a liberdae do povo, como também o condenará à pobreza permanente, como aconteceu como povo cubano", afirma o comunicado lido pelo prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, em nome da oposição.

"Decidimos convocar o país para dizer ao governo um basta de autoritarismo. Resolvemos aprofundar a luta ao lado do povo venezuelano", acrescenta o texto.

A posição acusa o governo federal de usar a justiça para perseguir dissidentes políticos, citando o caso do ex-candidato presidencial Manuel Rosales, que deve comparecer nesta segunda-feira numa audiência preliminar por um caso de enriquecimento ilícito, em meio a uma polêmica sobre seu paradeiro.

Para 1o. de maio, os opositores convocaram uma manifestação em Caracas "em defesa dos direitos dos trabalhadores e da Constituição", como parte das primeiras atividades que realizarão como um bloco.

A nova frente política reúne cerca de 20 partidos políticos de oposição, entre eles os social-democratas Um Novo Tempo e Ação Democrática, assim como o Copei (social-cristão), Primeiro Justiça (centro), e Podemos (esquerda), que, até 2007, pertenceu ao bloco chavista.

Até o momento não se pensar na nomeação de um candidato único, afirmou a porta-voz do Um Tempo, Delsa Solorzano.

"Nós não estamos aqui para promover candidaturas de ninguém e sim defender a democracia", afirmou Solorzano.

No acordo, também assinado por organizações sindicais, civis e estudantis, os integrantes se comprometeram em traçar uma estratégia única em suas próximas ações políticas.

Em 2007, a oposição chegou a formar um bloco unitário para a campanha de reforma constituicional proposta por Chávez e que foi rejeitada em referendo.

Também conseguiu consenso na seleção da maioria das candidaturas para as eleições de prefeitos e governadores de 23 de novembro de 2008.

Em novembro de 2002, a oposição anunciou a criação da "Coordenação Democrática", uma coalizão de partidos políticos de distintas ideologias e organizações gremiais contrárias a Chávez, principal promotora da greve petroleira de dezembro de 2002-janeiro de 2003.

O prefeito Ledezma denunciou na sexta-feira uma recente lei promulgada pelo presidente Chávez para limitar seus poderes e o acusou de agir como um ditador, em entrevista publicada pelo jornal El País.

"Os governos autoritários são cegos ante os limites. Os governantes que têm limites são os democráticos. E Chávez já atua como um ditador", afirmou Ledezma.

Ledezma, classificado pelo jornal espanhol de "prefeito sem gabinete e sem orçamento", criticou uma lei promulgada na terça-feira por Hugo Chávez que cria o cargo de "chefe de Governo de Caracas", uma nova figura administrativa, nomeada pelo presidente da República, "para quem foram transferidas quase todas as competências e bens que o prefeito administrava, incluindo seu palácio de Governo".

"O presidente venezuelano não assimila o resultado eleitoral que me converteu no prefeito", em novembro de 2008, criticou Ledezma.

"Um presidente que não respeita a Constituição, que não tolera a dissidência, que criminaliza a opinião contrária, deixa de ser democrático. Os verdadeiros chefes de Estado democráticos são os que estão submetidos ao império da lei".

jt/cn

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