Opositora birmanesa saberá na sexta a sentença de seu julgamento

Bangcoc, 28 jul (EFE).- A sentença do julgamento da líder opositora birmanesa e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, será anunciada na próxima sexta-feira, dia 31 de julho, anunciou hoje o juiz, após a conclusão da última audiência, realizada em uma prisão de máxima segurança de Yangun.

EFE |

Suu Kyi é acusada de ter violado as condições da prisão domiciliar que cumpria desde 2003 por ter recebido em sua casa, no início de maio, o cidadão americano John Yettaw, que chegou até ela nadando pelo lago Inya.

Se for considerada culpada, a líder opositora pode ser condenada a até cinco anos de prisão.

"Esperamos o melhor, mas também estamos preparados para o pior", afirmou Nyan Win, advogado de Suu Kyi e porta-voz de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

Win considerou que a ativista tem chances de ser declarada inocente, de acordo com a lei, mas previu que é pouco provável que o tribunal se atenha à legalidade, devido à natureza política do processamento contra a considerada maior inimiga do chefe da Junta Militar birmanesa, general Than Shwe.

"Se for libertação sem condições, voltará para casa no mesmo dia (...), mas nunca vi um veredicto assim em um caso como este", disse o advogado.

A defesa argumenta que Suu Kyi é inocente, já que não convidou Yettaw a ficar, e afirma que a lei que supostamente teria violado ao permitir que ele se hospedasse na casa dela não está mais em vigor.

Após vários atrasos e adiamentos, as audiências terminaram hoje, com a apresentação dos argumentos finais pela promotoria e a última palavra da defesa, que na última hora teve rejeitado seu pedido de incluir na lista de testemunhas um funcionário do Ministério de Exteriores birmanês.

Segundo testemunhas presentes no julgamento, a própria Suu Kyi tomou a palavra para se dirigir aos diplomatas estrangeiros que assistiram à audiência, aos quais agradeceu pelos esforços para promover que o julgamento "tenha um desfecho justo".

Desde o início, em 18 de junho, o julgamento de Suu Kyi foi condenado por Governos de todo o mundo, que consideram que o processo é uma estratégia para apagar a opositora das eleições que a Junta Militar planeja realizar em 2010.

Essas eleições são consideradas uma farsa pelo movimento democrático de Mianmar, que sustenta que os generais manipularão os resultados para se perpetuar no poder.

Mianmar é uma ferrenha ditadura militar desde 1962 e não realiza eleições democráticas desde 1990, quando a LND, liderada por Suu Kyi, obteve uma arrasadora vitória nas urnas, que nunca foi aceita pelos militares.

A Junta Militar considera as críticas a partir do exterior como uma grave ingerência em seus assuntos internos.

Assim reiterou hoje o jornal oficial "New Light of Mianmar", que habitualmente transmite as mensagens do regime e que publicou um editorial acusando Yettaw de ser um "agente infiltrado", encarregado de causar agitação para forçar a libertação de Suu Kyi.

O jornal denunciou que o americano foi enviado com esse propósito a Mianmar e colocou em dúvida o motivo que ele alegou para a visita.

Yettaw, lembrou o artigo, chegou à casa da opositora através de uma fundação que cerca a Embaixada dos Estados Unidos em Yangun e foi detido a poucos metros da residência do encarregado de negócios, que é uma espécie de embaixador enquanto os dois países não restabeleçam laços diplomáticos.

O americano nega essas acusações e afirma que decidiu ir até a casa de Suu Kyi porque teve, em um sonho, uma premonição de que a Nobel da Paz seria assassinada.

A líder opositora esteve privada da liberdade durante quase 14 dos últimos 20 anos. EFE tai/an

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