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Opositor venezuelano pede asilo contra perseguição de Chávez

Caracas, 20 abr (EFE).- O líder opositor venezuelano e prefeito de Maracaibo, Manuel Rosales, renunciou hoje à Justiça local, que classifica como aparelhada, e optou por buscar asilo político em algum país amigo, informou o presidente de seu partido, Omar Barboza.

EFE |

Rosales estava convocado para depor hoje em um tribunal de Caracas, durante uma audiência preliminar por um caso de suposta corrupção e enriquecimento ilícito, mas preferiu não se apresentar.

Diante isso, a audiência foi adiada para 11 de maio, informou Morris Sierraalta, um de seus advogados.

O adiamento aconteceu pouco após Rosales decidiu não se apresentar à audiência preliminar à qual estava convocado, e seus aliados anunciaram em entrevista coletiva que negociam um asilo político em um "país amigo" a seu favor.

Barboza, presidente do partido opositor Um Novo Tempo (UNT), fundado por Rosales, assinalou que o comparecimento dele a uma corte "seria um sacrifício inútil", dadas as "evidências" de que o julgamento está "aparelhado".

Ele reiterou a denúncia de "perseguição política" não só contra Rosales, mas toda a oposição venezuelana.

Manuel Rosales, que foi governador reeleito do estado petroleiro de Zulia, na fronteira com a Colômbia, e se elegeu prefeito de Maracaibo nas eleições regionais passadas de 2008, encontra-se na clandestinidade desde a semana passada, em "resguardo de sua segurança", segundo os dirigentes do UNT.

"São muito evidentes as provas que temos de que Manuel Rosales é um perseguido político", afirmou Barboza, citando um documento supostamente emitido pela corte que assumiu o caso, no qual a prisão do prefeito seria ordenada antes da audiência preliminar.

Além disso, Barboza afirmou em entrevista coletiva que Rosales dirigirá uma mensagem ao país nas "próximas 48 horas".

Em uma "carta pública" divulgada na semana passada, o principal opositor venezuelano disse que o caso de corrupção do qual é acusado é uma "montagem do chavismo em vingança, porque foi derrotado por ele e por seus aliados diversas vezes no Zulia".

Chávez assinalou reiteradamente sua intenção de prender Rosales, a quem vinculou em numerosas ocasiões não só com a corrupção, mas também com o "narcotráfico e o paramilitarismo".

"Estou decidido a prender Manuel Rosales (...); porque uma pessoa como essa deve estar na prisão, não pode ficar solto", ameaçou Chávez em 26 de outubro do ano passado, repetindo insistentemente depois.

Por sua vez, o deputado governista Mario Isea, que presidiu a comissão legislativa que averiguou e pediu à Procuradoria o processo de Rosales, acusou-o de não ter se dedicado a "desvirtuar as acusações" contra ele, "mas a denunciar perseguição" política.

Para Carlos Escarrá, também deputado governista, Rosales "foge covardemente da Justiça venezuelana à qual disse o tempo todo que ia a comparecer".

A mulher do prefeito, Evelyng Trejo de Rosales, liderou esta manhã uma manifestação em Maracaibo em apoio ao prefeito, na qual pediu a Chávez que leve o julgamento a seu marido perante a um "tribunal imparcial e justo".

Diante da ausência de Rosales, o governista Giancarlo Di Martino e ex-prefeito de Maracaibo assinalou hoje que pedirá ao Tribunal Regional Eleitoral a declaração de abandono do cargo de prefeito e a convocação de novas eleições.

Nas últimas semanas, o cerco à oposição venezuelana aumentou com a prisão do general Raúl Baduel, ex-aliado de Chávez, de quem foi ministro da Defesa, também por um suposto caso de corrupção.

Além disso, a justiça venezuelana condenou três comissários de Polícia, que estavam à disposição do então prefeito de Caracas, o opositor Alfredo Peña, por responsabilidade nos assassinatos durante a tentativa de golpe de Estado de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chávez.

Os acusados, considerados pela oposição como "presos políticos", não foram beneficiados com a anistia que Chávez concedeu em dezembro de 2007 a pessoas envolvidas no golpe.

O presidente venezuelano louvou estas ações recentes como uma "brisa fresca" para a Justiça venezuelana. EFE afs/jp

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