Opositor PRI deve voltar a ser primeira força política do México, indica pesquisa

Daqui a 90 dias, o opositor Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México durante 71 anos consecutivos (1929-2000), terá sua maior oportunidade de voltar a ser a principal força política do país, uma década depois de perder o poder para o ex-presidente Vicente Fox, do Partido Ação Nacional (PAN).

Leda Balbino, IG São Paulo |

AP
Felipe Calderón

Calderón: queda na popularidade

No dia 4 de julho, os mexicanos renovarão a totalidade da Câmara dos Deputados, escolherão 12 dos 31 governadores e 1.198 prefeitos. E, nos últimos 10 anos, o PRI nunca esteve tão bem como agora.

Segundo pesquisa do instituto Consulta Mitofsky, realizada entre 18 e 22 de fevereiro, o cenário atual é o mais favorável para o partido em pelo menos sete anos.

A principal liderança do novo PRI é o advogado Enrique Peña Nieto. Com 43 anos, o pré-candidato priista é governador do Estado do México desde 2005 e ficou nacionalmente conhecido após começar um romance em 2008 com Angélica Rivera, uma popular atriz mexicana.   

De acordo com a sondagem da Consulta Mitofsky, Peña Nieto tem 53% das intenções de voto, seguido pelo senador do PAN Santiago Creel, com 14,3%, e o ex-candidato presidencial do Partido da Revolução Democrática (PRD) López Obrador, com 13,8%.

Além disso, 37,1% dos mexicanos declaram-se eleitores do PRI, um aumento de 11 pontos porcentuais em relação a 2003, enquanto o PAN de Calderón tem rejeição de 29% e apoio de apenas 16,4% - queda de 12 pontos porcentuais desde 2007.

A situação é favorável ao PRI porque o governo do presidente Felipe Calderón, que sucedeu Fox em 2006, está mal por causa da crise econômica, do desemprego, da violência e da pobreza.

No ano passado, a economia do país se contraiu 6,5% e o índice de desemprego está na casa dos 6%. Desde fevereiro de 2009, a popularidade de Calderón caiu 13 pontos porcentuais.

Foto cortesia  do IISD/Boletim de Negociações da Terra

Enrique Peña Nieto

PRI espera retornar ao poder em 2010 com Enrique Peña Nieto

Narcotráfico

A guerra contra os cartéis de drogas, declarada por Calderón logo após sua posse em dezembro de 2006, representa um desafio político para o presidente mexicano e é um dos principais motivos para o desgaste de sua imagem ¿ e consequentemente, do PNA.

Desde 2006, os confrontos entre as forças de segurança do governo e os narcotraficantes deixaram cerca de 19 mil mortos e afugentaram o turismo e os investimentos no norte do país.

Além disso, os cartéis enviam anualmente US$ 40 bilhões em drogas aos EUA e vêm aumentando sua atuação em território americano, o que força Calderón a manter boa parte de seus 50 mil militares destacados para combater o narcotráfico ao longo da fronteira com os EUA.

Pesquisa publicada em 23 de março no jornal mexicano Milênio mostrou que 59% dos entrevistados acham que os cartéis estão vencendo a disputa, enquanto 21% opinam que o governo está à frente.

*Com informações da Reuters

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