Opositor de Zelaya vence eleição presidencial em Honduras

Porfírio Pepe Lobo, candidato conservador e opositor do presidente deposto Manuel Zelaya, venceu as eleições presidenciais de domingo em Honduras. O resultado da apuração de quase dois terços das urnas indica que Lobo foi eleito com quase 56% dos votos.

BBC Brasil |

Segundo as autoridades, mais de 60% dos eleitorado compareceu às urnas, apesar de campanhas por abstenção promovidas por simpatizantes de Zelaya, que defendeu a anulação do pleito.

"Aqui não há vencedores ou vencidos, ganhou o povo hondurenho", disse Lobo, do Partido Nacional de Honduras.

Lobo foi parabenizado pelo seu principal rival, o liberal Elvin Santos, que recebeu 38% dos votos. "Ao presidente eleito, dizemos: conte conosco", disse Santos.

Em comício para celebrar os resultados das eleições deste domingo, Lobo declarou que parabenizava "o povo hondurenho que, apesar de todas as ameaça, saiu de casa para votar".

"Creio que Elvin Santos fará uma oposição muito cívica, formaremos um governo de unidade e integração", afirmou.

Lobo pediu ainda para que seja iniciado um diálogo com o movimento de oposição e resistência ao governo interino "para iniciar um processo de reconciliação de toda a família hondurenha".

Após o discurso, vários simpatizantes de "Pepe" Lobo saíram às ruas de Tegucigalpa comemorando a vitória.

Comparecimento
Os números oficiais falam em abstenção de menos de 40%, menor do que os 45% registrados em 2005.

Mas a oposição, partidária do presidente deposto Manuel Zelaya, que encontra-se refugiado na embaixada brasileira, contesta estes números, afirmando que a abstenção teria sido de 65%.

O comparecimento eleitoral era tido como ponto de embate entre as duas frentes na luta pela legitimidade do pleito.

A comunidade internacional está dividida sobre o reconhecimento das eleições. Brasil, Argentina, Venezuela e Nicarágua estão entre os países que afirmam que o pleito é ilegítimo.

Já os Estados Unidos, que tinham condenado a deposição do presidente eleito Manuel Zelaya, dizem acreditar que o pleito é a melhor forma de resolver a crise política hondurenha. Muitos países disseram que vão esperar o desenrolar das eleições para se pronunciar.

No domingo, Zelaya pediu para que os EUA apoiassem uma eventual anulação do pleito e repetiu que não voltaria ao poder se o Congresso aprovasse sua restituição na votação prevista para a quarta-feira.

O único incidente registrado durante as eleições gerais hondurenhas aconteceu no norte do país cidade de San Pedro Sula, onde a polícia reprimiu manifestantes que faziam campanha pela abstenção. A oposição fala que dezenas de pessoas foram detidas.

Além do cargo de presidente, estavam na disputa 128 assentos no legislativo e 298 de representantes locais.

Crise
A crise política em Honduras teve início em 28 de junho, quando o presidente eleito do país, Manuel Zelaya, foi destituído do cargo pelas Forças Armadas, acusado de violar a Constituição do país, e em seu lugar assumiu um governo interino, liderado pelo antigo presidente do Congresso, Roberto Micheletti.

A deposição foi condenada por diversos países, entre eles o Brasil e os Estados Unidos, além de organizações como a OEA e a União Europeia.

Zelaya voltou clandestinamente a Honduras e se abrigou na embaixada do Brasil, onde está desde o mês de setembro.

Na próxima quarta-feira, como parte de um acordo intermediado pelos Estados Unidos, o Congresso deve votar se Zelaya voltará a ocupar a Presidência até o final de seu mandato em 27 de janeiro.

Micheletti afastou-se do cargo provisoriamente, podendo voltar ao poder dependendo da decisão do Congresso no dia 2.

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