Opositor de Chávez encerra campanha sob ameaça de prisão

O candidato à prefeitura da cidade venezuelana de Maracaibo, Manuel Rosales, atual governador do Estado Zulia, encerrou sua campanha eleitoral nesta quarta-feira confiante na vitória do próximo domingo e sob a pressão de ser levado à prisão caso seja considerado culpado por crimes de corrupção à frente da administração pública. Hoje é o dia para aqueles que querem acabar com nossa história ouvirem o grito desse povo que não se compra e não se vende (.

BBC Brasil |

..) esse ato sela uma vitória da soberania", afirmou Rosales diante de milhares de simpatizantes em um comício realizado na cidade de Maracaibo.

Rosales, ex-candidato à Presidência da Venezuela, é favorito na disputa à prefeitura. O candidato de seu partido Um Novo Tempo, Pablo Perez, também estaria à frente na disputa pelo governo de Zulia, em que compete com o candidato chavista Giancarlo Di Martino, atual prefeito de Maracaibo.

"Estamos ganhando, ninguém nos alcança, mas cuidado para não tropeçar, não podemos perder nenhum voto, é preciso ir votar", afirmou.

Analistas consideram que, para o governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, vencer em Zulia é estratégico do ponto de vista econômico e também político.

O Estado é responsável por 80% da produção de petróleo venezuelana e se transformou nos últimos oito anos no principal reduto da oposição.

Por essa razão, Chávez converteu Manuel Rosales em seu principal adversário durante a campanha eleitoral, que foi marcada por uma agressiva disputa.

"Eles (governistas) não apresentaram idéias. Dedicaram toda a campanha à guerra suja, à calúnia, ao engano", disse Rosales.

"Queremos ganhar para respeitar a propriedade privada, porque eles não acreditam na propriedade privada", acrescentou.

Disputa
A disputa entre o governo e a oposição em Zulia pode terminar nos tribunais.

O governo acusa Rosales de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, de uso de verbas públicas para financiar a oposição em outros Estados, de conspiração para derrubar o presidente e de manter vínculos com narcotraficantes.

Nesta quarta-feira, Rosales, que faltou ao primeiro chamado, foi convocado pela segunda vez à comparecer a Assembléia Nacional para explicar a origem de suas propriedades e responder às demais acusações.

"Se perder ou ganhar (as eleições), Manuel Rosales será julgado (...) e terá que explicar se as acusações não são verdadeiras", afirmou o deputado da base governista Mario Isea, em entrevista coletiva nesta quarta-feira, ao apresentar outras provas contra Manuel Rosales.

Na reta final da campanha, Chávez chamou o governador de Zulia de "ladrão" e "mafioso" e disse que o levaria à prisão.

"Ganhe ou perca as eleições, Manuel Rosales será preso", disse o presidente venezuelano em um dos comícios em que fazia campanha para o chavista Giancarlo Di Martino, candidato ao governo de Zulia.

Polarização
A campanha agressiva de Chávez contra seu opositor reeditou, de certa forma, a disputa para a Presidência de 2007.

"Chávez tinha que polarizar o ambiente político para reunir ao seu redor todos os chavistas, inclusive os descontentes, e criar um ambiente de eleições presidenciais", afirmou à BBC Brasil Teodoro Petkoff, diretor do jornal opositor Tal Cual e ex-candidato presidencial.

Chávez acusa Rosales de dar refúgio a paramilitares e grupos de extrema-direita venezuelanos e colombianos, que teriam o objetivo de desestabilizar o país.

"Não por acaso, todos os capos (chefes) do narcotráfico que foram presos no país foram encontrados em Zulia (...), ali estão protegidos", afirmou Chávez em um dos comícios de campanha.

As acusações também foram veiculadas pelo canal de TV estatal VTV, que transmitiu o áudio de um grampo telefônico, realizado pelo serviço de inteligência, em que Rosales discute com sua secretária a compra de relógios caros que seriam dados de presente à diretores de jornais.

Outra gravação revelou uma conversa de Rosales negociando a compra de gado e realizando transações bancárias em uma conta em Miami.

A gravação sugere que o governador teria desviado dinheiro público.

Efeito contrário
Na avaliação de Luis Lander, da organização não-governamental Ojo Eleitoral, a participação de Chávez à frente da campanha eleitoral de candidatos governistas pode ter tido sucesso em alguns Estados do país, mas em Zulia, o efeito pode ser contrário.

"Depois do discurso agressivo do presidente, as pesquisas apontam que o candidato chavista pode ter saído prejudicado", afirmou Lander.

Se a tendência for confirmada, Chávez poderá terminar seu segundo mandato, em 2012, sem conseguir implementar a "revolução bolivariana" no reduto opositor de Zulia.

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