Ex-presidente Eduardo Frei acusou Piñera de deixar o Chile à beira da 'ingovernabilidade'; passeata reuniu milhares em Santiago

O opositor chileno Eduardo Frei criticou o governo do presidente chileno, Sebastián Piñera, frente aos protestos estudantis que vêm crescendo nos últimos dias. O ex-presidente Eduardo Frei (1994-2000) acusou Piñera de deixar o Chile à beira da "ingovernabilidade" ao não resolver o conflito estudantil que afeta o país há dois meses.

"Os jovens não se sentem ouvidos", declarou em uma entrevista ao jornal argentino La Nación. "Nasceram na democracia e não têm respostas. A única coisa que observam é um presidente que considera a educação um bem de consumo".

A entrevista de Frei, que governou apoiado por uma coalizão de centro-esquerda, foi criticada pelo porta-voz do governo, Andrés Chadwick, que classificou a entrevista concedida ao exterior de "irresponsável" e prejudicial. "Se ele não quer colaborar para construir o país, que não ajude a destruí-lo", declarou Chadwick.

Os protestos estudantis abalaram a popularidade de Piñera, que chegou a 26% segundo uma pesquisa do Centro de Estudos Públicos (CEP).

Passeata

Neste domingo, milhares fizeram uma passeata pacífica em Santiago reivindicando melhor educação, durante uma manifestação convocada por alunos secundários e associações de pais.

De acordo com a polícia da capital chilena, cerca de 2 mil iniciaram o protesto na Praça Itália, mas foram reunindo mais participantes. A manifestação reuniu famílias inteiras que, com bandeiras e cartazes, se pronunciavam a favor de uma educação pública de qualidade e gratuita.

A Prefeitura de Santiago havia autorizado a manifestação, mas por um percurso afastado da Alameda Bernardo O'Higgins, que, assim como a Praça Itália, foi palco na quinta-feira de violentos enfrentamentos entre estudantes e policiais. O trajeto de 2,5 km autorizado para a manifestação deste domingo culminou no Parque Almagro, a seis quadras da Alameda, onde os organizadores programaram um evento cultural e artístico.

No último protesto de quinta-feira, os estudantes enfrentaram a polícia e mais de 550 pessoas foram detidas . Com apoio de professores, estudantes do ensino médio e superior desafiaram uma proibição governamental de protestar no centro de Santiago e saíram às ruas para pedir melhorias no sistema educacional.

*Com AFP e EFE

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