Opositor anuncia desistência do 2º turno no Zimbábue

O líder opositor Morgan Tsvangirai anunciou neste domingo sua retirada da disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue, programada para a sexta-feira. Tsvangirai disse que não há sentido em concorrer em eleições que não serão livres e justas e que o resultado já está determinado pelo seu adversário, o presidente Robert Mugabe.

BBC Brasil |

O líder opositor pediu ainda que a comunidade internacional intervenha no Zimbábue para "prevenir um genocídio".

O partido de Tsvangirai, o MDC (Movimento para a Mudança Democrática), diz que a decisão foi tomada após ao menos 70 de seus simpatizantes terem sido mortos durante a campanha.

Neste domingo, um grupo de simpatizantes do MDC foi atacado na capital, Harare, quando se encaminhavam para um comício.

Na sexta-feira, Mugabe havia acusado o MDC de ser responsável pela onda de violência no país. Durante um comício, disse que "somente Deus" o tiraria da Presidência e que nunca aceitaria um país governado pelo partido opositor.

"Processo ilegítimo"
Num pronunciamento público neste domingo, Tsvangirai disse que seu partido não pode pedir aos seus sumpatizantes que votem no dia 27 porque "seus votos podem custar suas vidas".

"Decidimos que não vamos participar mais deste processo eleitoral violento, ilegítimo e falso" , disse. "Não faremos o jogo de Mugabe."
Ele pediu que as Nações Unidas, a União Africana e o bloco de países do sul da África intervenham para prevenir uma intensificação da violência política no país.

O ministro da Informação do Zimbábue, Sikhanyiso Ndlovu, disse à BBC que Tsvangirai desistiu da votação porque temia "uma humilhação e derrota" contra Mugabe, que segundo ele venceria "amplamente".

"Infelizmente a decisão vai impedir o povo do Zimbábue de votar", disse o ministro.

Tsvangirai foi o mais votado no primeiro turno das eleições, com cerca de 48%, enquanto Mugabe obteve cerca de 43%.

Campanha em segredo
Observadores internacionais consideram que diante das atuais circunstâncias, com uma grave onda de violência política, a eleição não seria capaz de resolver os problemas do país.

O MDC alega que membros do partido foram agredidos e que simpatizantes foram expulsos de suas casas, obrigando a campanha de Tsvangirai a se desenrolar em um ambiente de quase segredo.

O secretário-geral do partido, Tendai Biti, está preso sob a acusação de traição.Mugabe acusa o MDC de agir de acordo com os interesses da Grã-Bretanha, o antigo poder colonial, e de outros países ocidentais.

Os vizinhos próximos do Zimbábue também manifestaram preocupação sobre a validade do segundo turno nas atuais circunstâncias.

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