Opositor ameaçado por Chávez diz que teriam que matá-lo para vencê-lo

Caracas, 8 nov (EFE).- O líder opositor Manuel Rosales, a quem o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ameaçou levá-lo à prisão após acusá-lo de corrupto e mafioso, disse hoje que terão que matá-lo para tirá-lo da disputa política e eleitoral.

EFE |

"Terão que me matar, porque não têm nenhuma razão para fazer nada contra mim", declarou em comunicado, no qual assegurou que todos os sinais contra si obedecem a um plano "político".

O governador de Zulia e candidato à Prefeitura de Maracaibo (oeste), a capital desse estado fronteiriço com a Colômbia, nas eleições do próximo dia 23 de novembro, acrescentou que o que Chávez e seus seguidores fizerem e dizerem contra si "é sujo".

"O que estão fazendo é uma covardia", acrescentou e posteriormente, em um comício eleitoral noturno em Caracas, encorajou uma vitória da oposição, mas "não para achatar ninguém nem derrubar ninguém, mas para iniciar um verdadeiro caminho de paz e entendimento na Venezuela".

"A diversidade vai permitir que a Venezuela se oriente rumo a um caminho de respeito à Constituição e às instituições onde não se pretende impor o pensamento e as idéias de um só homem", acrescentou, em referência ao presidente.

Chávez o acusou, entre outros delitos, de um complô para matá-lo e pelo qual disse que desistiu de participar à Cúpula Ibero-Americana realizada no mês passado em El Salvador e pediu às instituições para atuar contra o governador conforme as denúncias apresentadas.

O líder opositor, derrotado nas eleições que em dezembro de 2006 confirmaram Chávez no cargo até fevereiro de 2013, foi também acusado formalmente perante a Promotoria por deputados governistas de uma compra e venda supostamente ilícita de cabeças de gado, supostos subornos a jornalistas e de doar bens de Zulia.

"Por aí diziam que iam me prender, mas terão que me matar", insistiu Rosales, e desafiou os deputados a investigar sua gestão e também a do atual prefeito de Maracaibo, o governista Giancarlo Di Martino.

A gestão de Di Martino, candidato ao governo de Zulia pelo Partido Socialista da Venezuela (PSUV), liderado por Chávez, é a que deveria ser investigada prioritariamente, assegurou Rosales.

O governador explicou que o Governo estimava "que com mentiras e ameaças o povo ia se assustar".

"Tenho uma vantagem que ronda os 45 pontos para ganhar a Prefeitura de Maracaibo e isso se deve a esta 'guerra' de denúncias baseadas em 'mentiras e falsidades'", acrescentou.

Os venezuelanos foram convocados às urnas dentro de 15 dias para escolher os governadores dos 22 Estados do país, 20 deles vencidos há quatro anos por candidatos de Chávez, além de 328 prefeitos e 233 legisladores provinciais. EFE ar/ma

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