Opositor acusa Uribe de comprar votos para facilitar reeleição

A oposição colombiana acusou, nesta segunda-feira, o governo do presidente, Álvaro Uribe, de utilizar recursos públicos para comprar votos de parlamentares para facilitar a aprovação do referendo que pode permitir a candidatura do líder para um terceiro mandato presidencial em 2010. De acordo com o líder do Partido Liberal, Rafael Pardo, o governo destinou mais de 220 bilhões de pesos (cerca de US$ 110 milhões) para a compra de votos no Congresso para permitir um terceiro mandato presidencial, disse.

BBC Brasil |

Segundo o parlamentar, que é pré-candidato presidencial, o dinheiro foi destinado à reconstrução de 52 sedes de prefeituras em diferentes regiões do país, quando inicialmente havia sido orçado para projetos de segurança.

"Eu estou pedindo ao Procurador que suspenda alguns contratos porque esse é o rumor que ronda o Congresso, que o mecanismo usado para convencer os congressistas a votar no referendo são os contratos", afirmou Pardo.

Votação
A denúncia vem à tona na véspera da votação, na Câmara de Representantes, do projeto de referendo que pode permitir a Uribe candidatar-se à segunda reeleição. Na semana passada, o projeto foi aprovado por maioria no Senado.

O governo, por sua vez, nega as acusações. O ministro da Fazenda, Oscar Iván Zuluaga, afirmou que a execução de obras públicas e a aprovação de leis, não estão relacionadas.

Sob esta lógica, Zuluaga argumenta que, "o governo praticamente teria que paralisar-se, porque todo recurso investido em um município estaria relacionado com alguma determinada votação ou proposta no Congresso. Isso não tem razão ou justificação de ser", afirmou Zuluaga.

O Procurador Geral da Colômbia, Alejandro Ordóñez, por sua vez, anunciou em entrevista à uma rádio local que investigará as denúncias sobre a suposta compra de votos.

"Hoje o país vê, ao vivo e a cores, antes da votação, as ilegalidades no trâmite do referendo," afirmou Rafael Pardo.

Escândalo
Se as denúncias forem confirmadas, seria o segundo escândalo por compra de votos para garantir a reeleição de Uribe. No ano passado, o caso conhecido como "yidispolítica" revelou casos de corrupção que teriam permitido a aprovação do projeto para a primeira reeleição de Uribe em 2006.

Em julho de 2008, a parlamentar Yidis Medina admitiu ter vendido seu voto em troca de "favores" a "altos funcionários do governo", parecer que teria sido determinante para aprovação do primeiro projeto de reeleição.

A tramitação do projeto, que vem se arrastando há meses, foi marcada por polêmicas, como supostas irregularidades na arrecadação dos fundos para a promoção da iniciativa e depoimentos de chefes dos cartéis do narcotráfico que dizem ter apoiado a reeleição do presidente colombiano.

Se a Câmara aprovar o projeto na terça-feira, a proposta de referendo será submetida à Corte Constitucional e logo depois pode ser levado às urnas, onde os colombianos decidirão a favor ou contra a reeleição de Uribe.

Uribe, que foi eleito em 2002 e reeleito em 2006, ainda não anunciou se está disposto a se submeter a um terceiro mandato presidencial.

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