Opositor acusa Morales de privilegiar cocaleiros ao suspender DEA americano

La Paz, 4 nov (EFE).- O líder opositor boliviano Jorge Quiroga acusou hoje o Governo de Evo Morales de privilegiar economicamente os cocaleiros em detrimento de outros setores do país, com a suspensão indefinida do departamento antidrogas americano (DEA).

EFE |

Em entrevista coletiva, o ex-presidente (2001-2002) e chefe do Poder Democrático Social (Podemos) disse que o Governo "dá tudo aos cocaleiros" e "nada" aos setores têxtil, da soja, do açúcar e joalheiros, em um momento de crise econômica.

Segundo Quiroga, a única "política clara" do Governo é o "neoliberalismo cocaleiro", porque "há uma livre produção de coca destinada à droga, sem controle, regulação, fiscalização, sem assistência" que evite que os excedentes destas plantações sejam destinados à elaboração de cocaína.

No final de semana passado, Morales decidiu suspender indefinidamente as operações do DEA, cujos agentes terão três meses para sair da Bolívia, segundo o ministro das Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca.

O Governo boliviano argumenta que a DEA realiza trabalhos de espionagem política, apoio e financiamento aos opositores de Morales, que tentaram um "golpe civil" há mais de um mês durante uma onda de protestos sociais.

O Governo de Washington rejeitou estas denúncias de conspiração contra Morales e advertiu que a retirada da DEA levará ao aumento do negócio das drogas na Bolívia.

Os empresários bolivianos alertaram que a suspensão ou saída da DEA deste país fecha qualquer possibilidade de que Washington revise a decisão de retirar a Bolívia dos benefícios da Lei de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação das Drogas (ATPDEA), que afetará, principalmente, o setor têxtil.

O vice-ministro da Defesa Social boliviano, Felipe Cáceres, responsável pela luta contra o narcotráfico, negou que, com a saída do DEA da Bolívia, haverá uma "festa" entre os traficantes de drogas, como disseram os dirigentes da oposição.

Para ilustrar a decisão do Governo Morales de enfrentar este crime, afirmou que, durante o ano, foram realizadas 9,6 mil operações policiais antidrogas, frente a uma média de 3 mil a 4 mil feitas em gestões anteriores.

Cáceres confirmou que, no próximo fim de semana, apresentará ao Ministério de Governo (Interior) uma solicitação formal de recursos para que o Estado assuma o financiamento da luta antidrogas.

Entre 2007 e 2008, os Estados Unidos apoiaram a Bolívia com US$ 26 milhões nesta área, graças a um convênio cuja vigência terminou em setembro. EFE ja/an

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