Oposicionistas são condenados por se manifestarem em Mianmar

Bangcoc, 13 nov (EFE).- Onze membros do principal partido da oposição em Mianmar (antiga Birmânia), dirigido por Aung San Suu Kyi, Nobel da Paz, foram condenados hoje a 90 meses -sete anos e meio- de prisão cada um, informou a imprensa da dissidência.

EFE |

Um tribunal formado na penitenciária de Insein, nos arredores de Yangun, concluiu que os acusados são culpados de reunião ilegal, obstrução da justiça e alteração da ordem.

Os condenados foram detidos entre agosto e setembro de 2007, quando a Junta Militar birmanesa enfrentou as maiores manifestações pacíficas desde 1988, que chegaram a levar cerca de 300 mil pessoas às ruas para pedir democracia e liberdade.

Na terça-feira passada, também em Insein, 14 destacados membros do grupo birmanês dissidente Geração de Estudantes de 88 foram sentenciados a 65 anos de prisão cada um por participação nas citadas manifestações de 2007.

Na última segunda-feira, e mais uma vez em Insein, outro tribunal condenou a 20 anos de prisão um opositor que ridicularizou em uma caricatura o "homem forte" da ditadura militar, o general Than Shwe, e impôs dois anos de prisão ao dissidente Saw Wai por uma ofensa semelhante.

Nay Myo Kyaw, mais conhecido como Nay Phone Latt, desenhou e divulgou em seu blog uma caricatura de Than Shwe com o comentário: "Embriagado de poder".

Já Saw Wai compôs um poema no qual a primeira estrofe de cada verso diz "o veterano general Than Shwe está embriagado de poder".

A organização Human Rights Watch (HRW) exigiu ontem ao regime militar birmanês a libertação de 75 opositores condenados durante as duas últimas semanas a penas de prisão por sua participação nas manifestações de 2007.

"Não é um segredo que os dirigentes militares de Mianmar não têm nenhum respeito pela lei, mas estas passadas semanas mostram uma concentração de represálias dirigidas claramente a intimidar a população", disse a subdiretora da HRW na Ásia, Elaine Pearson.

A Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP) de Mianmar, com sede na Tailândia, tem 2,12 mil presos políticos contabilizados nas prisões birmanesas, quase o dobro do que havia antes de 2007.

Mianmar vive submetida aos militares desde o golpe de Estado do general Ne Win, em 1962. EFE grc/fh

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