Oposicionistas deixam embaixada do Brasil em Caracas

Três estudantes universitários oposicionistas venezuelanos que ocuparam nesta segunda-feira a embaixada brasileira em Caracas deixaram o edifício da sede diplomática no início da noite (horário local).

BBC Brasil |

Os jovens haviam se instalado na sala de acesso à embaixada no início da manhã e ameaçaram não deixar o local caso o governo do Brasil não aceitasse intermediar uma negociação entre o grupo e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Os jovens exigem que o governo venezuelano convide a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) para avaliar a situação dos direitos humanos no país. Para isso, eles pedem a mediação do governo brasileiro.

No início da tarde, os universitários foram recebidos pelo embaixador brasileiro Antonio Simões, a quem foi entregue uma carta com a reivindicação do grupo.

Ao deixar a embaixada, o estudante Luis Magallanes disse que Simões teria se comprometido a entregar a petição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A representação diplomática brasileira não quis comentar o episódio.

Mais cedo, comparando a situação em Caracas com o refúgio concedido pela embaixada brasileira em Honduras ao presidente deposto, Manuel Zelaya, o estudante Luis Magallanes declarou a um jornal local que "sabendo da intermediação que o Brasil está realizando em Honduras" os jovens dizem esperar o mesmo em relação à Venezuela.

Direitos Humanos

No sábado, centenas de estudantes opositores realizaram uma manifestação no centro de Caracas que culminou com a entrega de um documento ao ministério de Relações Exteriores do país solicitando a presença da CIDH.

AFP
Estudantes protestam em Caracas, no sábado

Estudantes protestam em Caracas, no sábado

Pelo mesmo motivo, dias antes, dezenas de jovens fizeram uma greve de fome em frente da sede da OEA em Caracas como medida de pressão à Organização e ao governo.

O governo qualificou a greve de fome como um "show midiático" organizado pelos setores da oposição. Mas os anti-chavistas argumentam que há "presos políticos" no país e que o governo estaria "criminalizando" o direito de protestar.

O governo, por sua vez, rejeita as acusações e afirma que as pessoas que estão detidas respondem a crimes de assassinato vinculados ao golpe de Estado de 11 de abril de 2002 e por supostos casos de corrupção.

"Imaginem chamar presos políticos a uns corruptos que estão presos por (serem) ladrões (...) que assassinaram venezuelanos no 11 de abril", afirmou o presidente Hugo Chávez, na última semana, ao criticar a greve de fome realizada pelos estudantes.

Segundo um funcionário da embaixada brasileira, até que o impasse com os universitários seja resolvido, o acesso à sede diplomática brasileira estará restringido "por medidas de segurança". Diplomatas brasileiros esperam resolver o episódio ainda nesta segunda-feira.

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