Os primeiros resultados parciais da eleição realizada neste domingo no Paraguai revelam que o ex-bispo da Igreja Católica Fernando Lugo, candidato da oposição pela Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), recebeu 40,37% dos votos (506.268).

No total, foram apuradas 66,8% das mesas eleitorais. A candidata do governista Partido Colorado, Blanca Ovelar, recebeu 31,3% ou 392.538 votos.

A diferença entre os dois presidenciáveis superava os 100 mil votos, com sinalização, segundo o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral de ampliação desta margem favorável a Lugo.

Se esta tendência for confirmada até a apuração final, será a primeira vez que o Partido Colorado deixará o poder, após 61 anos ininterruptos na liderança do país, incluindo 35 anos de ditadura militar (1954-1989).

Também será a primeira vez, recordam historiadores, em quase 200 anos de história, desde a formação dos partidos políticos após a Guerra do Paraguai, que haverá uma mudança política pacífica sem golpe militar.

Quem for eleito no pleito deste domingo tomará posse no dia 15 de agosto.

'Les quiero mucho'
Quatro horas após o fechamento das urnas, uma multidão comemorava no centro de Assunção, erguendo bandeiras do país, cantando e fazendo batucada.

Duas horas e meia após o fechamento das urnas, Lugo fez suas primeiras declarações à imprensa e a seus seguidores, reunidos na sede da sua coligação política, em Assunção.

Com a bandeira do Paraguai nos ombros, disse: "Hoje, podemos afirmar que os pequenos também estão capacitados para vencer. Esse é o Paraguai que eu sonho, de todos os rostos, de todos."
E ainda completou: "Hoje, mais que nunca, esse Lugo, que tem coração, quer dizer a vocês: les quiero mucho".

Seus eleitores reagiram: "Lugo, Lugo. Lugo, presidente".

Mais tarde, diante de mais de cem jornalistas nacionais e estrangeiros, ele convidou todos os partidos a construir um Paraguai "forte, como já foi um dia".

E como já é tradição em suas mensagens, ele falou em Deus.

"Quero pedir ao bom Deus que abençoe esse país (...) com tantos paraguaios que (por falta de oportunidades) vivem em Buenos Aires, Nova Iorque e no Brasil."
A APC foi formada há oito meses e é formada pelo tradicional partido de centro-direita Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) e diferentes movimentos sociais de esquerda. Lugo se define como de centro - "o centro do ponche", costuma dizer, em referência a uma de suas roupas típicas.

Minutos antes da divulgação dos primeiros resultados de boca-de-urna e oficiais, os presidenciáveis, Blanca Ovelar, do Partido Colorado, e o ex-general Lino Oviedo, do UNACE, uma dissidência do Colorado, disseram que esperariam o resultado final.

"Fui a vários locais de votação, e esses resultados de boca-de-urna não têm nada a ver com o que vi de perto", disse ele.

"Até agora sabemos que existe um empate técnico", afirmou ela.

Pelos dados parciais oficiais, divulgados até o começo da noite em Assunção, Oviedo recebeu 272.950 votos (21,7%).

Pouco depois do final da votação, a chefe da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), María Mejia, elogiou o "civismo" dos paraguaios que compareceram fortemente às urnas, com cerca de 65% de participação.

Há grande expectativa em torno dos resultados legislativos, já que a previsão é de que nenhuma coligação conquiste a maioria no Parlamento.

"Se é de governabilidade que vocês querem saber, digo que ela existirá", havia dito Lugo na sexta-feira, dois dias antes das eleições quando perguntado, numa entrevista com jornalistas estrangeiros, sobre a formação do Parlamento.

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