Cairo, 18 fev (EFE).- O oposicionista egípcio Ayman Nour, libertado hoje após passar mais de três anos na prisão por falsidade ideológica, afirmou que não vai travar novas batalhas e que vai seguir trabalhando pelo bem do Egito.

Em declarações aos jornalistas em sua casa, no Cairo, pouco após ser libertado, Nour, ex-presidente do partido laico liberal Al-Ghad (O Amanhã), afirmou que saiu da prisão "não para travar novas batalhas, mas para trabalhar pelo bem do povo egípcio e de sua pátria".

O procurador-geral Abdel Meguid Mahmoud ordenou hoje a libertação, por razões de saúde, de Nour, que sofre de diabetes, hipertensão e problemas cardíacos, entre outros males.

Nour foi o principal adversário do presidente egípcio, Hosni Mubarak, nas primeiras eleições presidenciais do país, em setembro de 2005, mesmo assim obtendo apenas 7% dos votos.

Pouco depois, o líder opositor foi processado judicialmente acusado de falsificar as assinaturas dos documentos que permitiram a criação de seu partido, sendo condenado a cinco anos de prisão.

Nour sempre negou as acusações, que chamou de "uma campanha política" contra ele.

O líder opositor, de 44 anos, disse que foi surpreendido por sua libertação. "Alegro-me pela decisão da minha libertação, que chegou como uma surpresa para mim e para todos. Ninguém me informou, nem sequer minha família", declarou.

A respeito do que fará no futuro, Nour confessou que voltará a levar sua vida cotidiana, sem especificar claramente se voltará à vida política.

Mesmo assim, assegurou estar aberto a cooperar com todos os partidos, que convidou a trabalhar pelo bem do país.

Não faltou uma declaração antissionsita, ao se dizer disposto a colaborar com todos os países do mundo, "menos com Israel".

Quanto à cisão que aconteceu em seu partido após sua prisão, Nour disse que "as divisões são normais na vida política". EFE aj/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.