Oposicionista da RDC tenta transferir responsabilidade por crimes de guerra

Haia, 12 jan (EFE).- A defesa do ex-vice-presidente e líder máximo da oposição na República Democrática do Congo (RDC), Jean-Pierre Bemba, responsabilizou hoje as autoridades da República Centro-Africana pelos crimes de guerra e contra a humanidade dos quais é acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).

EFE |

Durante a primeira audiência sobre a confirmação de acusações contra o ex-líder do Movimento de Libertação do Congo (MLC), seu advogado, Karim Khan, afirmou que os crimes pelos quais é acusado "não foram realizados sob a responsabilidade" do acusado, mas sob as ordens do ex-presidente da República Centro-Africana Ange-Félix Patassé, que governou este país entre 1993 e 2003.

O TPI iniciou hoje a primeira de um total de quatro audiências orientadas a que os juízes confirmem ou não as acusações que pesam sobre Bemba.

Durante a audiência, a Promotoria citou as cinco acusações de crimes de guerra e as outras três de crimes contra a humanidade que pesam contra o acusado por atos supostamente cometidos na República Centro-Africana entre outubro de 2002 e março de 2003.

Segundo os promotores, o Movimento de Libertação do Congo, do qual Bemba era líder, realizou um ataque sistemático e generalizado contra a população civil da República Centro-Africana com crimes de tortura, assassinato, atentados contra a dignidade pessoal, tratamento degradante e pilhagem.

Segundo a promotora Fatou Bensouda, "Bemba queria aterrorizar e traumatizar a população" da República Centro-Africana, para o que "escolheu o estupro como sua principal arma de guerra. O estupro de homens, mulheres e crianças, atos que obrigava os pais a olhar".

Durante as próximas duas audiências, que serão realizadas amanhã e quarta, representantes das vítimas, da defesa e da promotoria apresentarão questões referentes a temas de jurisdição, procedimento e admissibilidade do caso, dizem fontes do TPI.

Na próxima quinta - último dia das audiências de confirmação de acusações - serão expostas as alegações finais ante os juízes, que contam com um prazo de 60 dias para decidirem se consideram que há provas suficientes para iniciar um julgamento contra Bemba.

O TPI é a única corte internacional que realiza audiências para confirmar ou não as acusações apresentados pelos promotores contra seus acusados.

Detido no dia 24 de maio pelas autoridades belgas, Bemba é o primeiro acusado que comparece ao TPI ao ser acusado de crimes de guerra na RDC. EFE mr/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG