Oposição venezuelana promete retorno à assembleia neste domingo

Ausentes desde 2005, quando decidiram boicotar eleição, opositores ao governo de Hugo Chávez querem recuperar poder legislativo

AFP |

A oposição ao presidente venezuelano Hugo Chávez está confiante em relação às eleições legislativas do próximo domingo e espera um retorno ao Parlamento após cinco anos de ausência para equilibrar forças, em um país polarizado pela política.

Agrupados em torno da Mesa da Unidade Democrática, cerca de 30 organizações políticas conseguiram construir, com sérias dificuldades, um discurso e uma lista únicos para lançar seus candidatos a este pleito, que tanto governo quanto oposição consideram crucial.

A coalizão está convencida de que, depois de 11 anos de governo de Chávez, os venezuelanos estão decepcionados com as altas taxas de criminalidade, com a recessão econômica e com a vida política protagonizada por setores irreconciliáveis.

AP
Opositores e chavistas fazem campanha na favela de Las Minas, em Caracas, na Venezuela (2/09/210)
A aposta da oposição unida é conseguir entre 60 e 70 dos 165 assentos parlamentares para fortalecer a democracia e construir uma Assembleia Nacional mais diversificada, que funcione efetivamente como órgão de controle do Poder Executivo. Segundo pesquisas, o próximo domingo pode ser de mudança para a composição da assembleia.

"É preciso ganhar no 26 de setembro, primeiro porque nas ruas já se sente que somos maioria, mas também porque é uma obrigação recuperar a pátria, reencaminhá-la pela Constituição e a legalidade", disse Delsa Solórzano, líder da oposição. "Uma nova era vai começar. Seremos maioria que legislará para as pessoas, que controlará e obterá um equilíbrio entre os poderes do Estado", acrescentou.

Boicote

A oposição está ausente da vida parlamentar desde 2005, quando decidiu boicotar as eleições legislativas alegando falta de garantias. O pleito, no entanto, não foi anulado, e a coalizão do governo se transformou praticamente no único ator atuante no Assembleia Nacional venezuelana.

Hoje, o bloco reconhece que a decisão foi um erro. Desde 2005, assistem impotentes a um Parlamento que concedeu a Chávez poderes para legislar e aprovou leis para fortalecer o chamado "socialismo do século 21".

Cinco anos depois o discurso da oposição é de unidade, e suas bandeiras são o combate à pobreza, à corrupção e à crescente violência, que apenas em 2009 contabilizou 19 mil vidas, segundo estatísticas oficiais.

Para opositores do governo Chávez, as eleições trazem a possibilidade de estabelecer uma visão diferente da que controla atualmente o destino do país. "Estamos vivendo em duas Venezuelas: a simpática ao governo, que goza de benefícios, e a que é constrangida, perseguida, marginalizada", alertou Enrique Mendoza, veterano político social-cristão.

Para o candidato Julio Borges, do partido Primero Justicia, não se trata de tirar Chávez do (Palácio Presidencial de) Miraflores, e sim de "tirar Chávez do coração das pessoas". "Embora sejamos minoritários, temos de conquistá-los com uma visão distinta", comentou o candidato.

Chávez, no entanto, continua contando com grande apoio popular, e disputará em 2012 um terceiro mandato presidencial, sem que a oposição tenha - pelo menos até agora - perspectiva de apresentar um candidato de peso para combatê-lo.

    Leia tudo sobre: venezuelaeleiçõeshugo chávezoposiçãoassembleia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG