Oposição venezuelana procura nova frente para enfrentar Chávez

Caracas, 16 fev (EFE).- O Governo venezuelano comemorou hoje a vitória do sim às intenções do presidente Hugo Chávez de aprovar a reeleição ilimitada, enquanto a oposição procura uma nova bandeira sob a qual se reunir e enfrentar a popularidade do líder no pleito de 2012.

EFE |

Os números confirmaram "o que víamos na rua" e na maioria das pesquisas, disse Vanessa Davies, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado por Chávez.

Ela foi uma das poucas vozes governistas encontradas hoje, depois das celebrações "chavistas" que se prolongaram até a madrugada.

"Os grandes derrotados não foram os opositores", mas a imprensa privada, que, na Venezuela, atua no lugar dos partidos políticos de oposição e, assim, "disfarça de propaganda a informação", afirmou a dirigente governista, ao comentar com jornalistas os resultados do referendo de domingo.

Vários dos veículos de comunicação destacaram nesta segunda-feira que os seis milhões a favor de Chávez evidenciam uma grande queda em relação aos 7,3 milhões com os quais o presidente ganhou a reeleição em 2006, e disseram que a oposição superou os quatro milhões obtidos reiteradamente nas diferentes eleições dos últimos anos.

Na noite de domingo, após ser proclamada a vitória de Chávez com um apoio de cerca de um milhão de votos frente ao "não", e uma abstenção de seis milhões de eleitores, o governante afirmou que concorrerá às eleições que, em dezembro de 2012, definirão o período presidencial 2013-2019.

Chávez festejou o resultado como uma "grande vitória do povo e da revolução", enquanto os adversários denunciavam o "oportunismo" de contar com os recursos do Estado entre as causas da derrota do "não" à reeleição ilimitada.

A oposição acredita que está conquistando mais adeptos. "Mas poderíamos fazer melhor e ter recebido muito mais votos", afirmou o líder opositor Antonio Ledezma, prefeito de Caracas e identificado por Chávez como um de seus possíveis adversários em 2012.

Ledezma advertiu para o "oportunismo" governamental, e previu que esse se repetirá em 2012, mas, para enfrentar isso, exigiu que a oposição "conquiste" os seis milhões de eleitores que não votaram.

Sobre sua eventual candidatura presidencial, ressaltou que todos os partidos de oposição definirão, "a seu tempo, quem será seu candidato", e que "seja o que Deus quiser".

Além disso, ressaltou que essa definição do futuro oponente de Chávez "não deve significar uma carnificina política" entre o "antichavismo".

"Aceitamos que o 'sim' ganhou, mas manchado pelo oportunismo", disse, por sua vez, o líder do partido conservador Primeiro Justiça (PJ), Julio Borges, outro dos opositores citados por Chávez como um de seus eventuais adversários.

Borges expressou satisfação com o fato de a oposição ter recebido pouco mais de cinco milhões de votos, o que constitui, ressaltou, um piso "para ser uma nova maioria na Venezuela" a médio prazo.

"Sintam a força do que é construir uma nova maioria, sintam a força da esperança" e, "a partir do PJ, semearemos uma nova alternativa democrática e política séria", acrescentou.

A oposição deve "buscar uma bandeira", porque "falta uma figura de 'igual para igual' com Chávez", ressaltou à Agência Efe o analista político Carlos Romero.

Atualmente, nenhum dos dirigentes "chega aos pés" de Chávez em popularidade, acrescentou, mas advertiu de que o cenário do qual o presidente se beneficiou agora pode mudar no futuro, levando em conta as consequências da crise e de como a oposição administrar a situação.

Já o analista Luis Vicente León ressaltou que "a metade do país" rejeita a opção política de Chávez, e que os opositores "devem ter uma proposta criativa para que possam lutar" contra a alternativa do presidente.

O diretor da empresa de pesquisas Datanálisis, uma das que previu a vitória do "sim" no referendo, ressaltou que a "liderança" é o problema da oposição, e destacou a importância das eleições parlamentares do próximo ano para abrir novas perspectivas. EFE ar/db

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