Oposição venezuelana procura nova frente para enfrentar Chávez

CARACAS - Enquanto o governo da Venezuela comemora a vitória do sim no referendo realizado neste domingo, que aprovou a reeleição ilimitada proposta pelo presidente Hugo Chávez, a oposição procura uma nova bandeira sob a qual se reunir para enfrentar a popularidade do líder no pleito de 2012.

Redação com agências internacionais |


Apesar de perder o referendo sobre a emenda constitucional, a oposição da Venezuela obteve seu melhor resultado nas urnas. A emenda foi aprovada com 6.003.594 votos (54,36%), mas rejeitada por 5.040.082 cidadãos (45,63%), número considerado um recorde para a oposição.

"Há sinais que permitem pensar que se está consolidando uma parte muito importante do país, pois quase que a metade está se opondo a políticas do presidente Chávez", disse Saúl Cabrera, da empresa Consultores 21.

Para o professor de Estudos Internacionais Carlos Romero, a oposição venezuelana sai do referento derrotada, mas fortalecida e alguns passos à frente no cenário político nacional.

"A oposição ganhou votos em termos absolutos e do ponto de vista percentual. Isso é uma conquista. Além disso, teve um olhar nacional e deu mostras de unidade que não havia sido vista em outros pleitos", disse Romero.

Segundo Romero, a oposição deve "buscar uma bandeira", porque "falta uma figura de 'igual para igual' para competir com Chávez". Para ele, nenhum dos dirigentes venezuelanos "chega aos pés" do presidente em popularidade, mas o cenário pode mudar no futuro, dependendo das consequências da crise financeira e de como a oposição administrar a situação.

O analista Luis Vicente León afirma que os opositores "devem ter uma proposta criativa para que possam lutar" contra o atual presidente. Para ele, a "liderança" é o problema da oposição, e as eleições parlamentares do próximo ano são importantes para abrir novas perspectivas.

Possíveis adversários

O líder opositor Antonio Ledezma, prefeito de Caracas e identificado por Chávez como um de seus possíveis adversários em 2012, acredita que a oposição está conquistando mais adeptos, mas poderia ter recebido mais votos no referendo deste domingo.

Ledezma espera que, até as eleições de 2012, a oposição "conquiste" os seis milhões de eleitores que votaram "sim" no referendo. Sobre sua eventual candidatura, ressalta que todos os partidos de oposição definirão, "a seu tempo, quem será seu candidato", e que "seja o que Deus quiser".

Outro dos possíveis adversários de Chávez na eleição, o líder do partido conservador Primeiro Justiça (PJ), Julio Borges, expressou satisfação com o fato de a oposição ter recebido mais de cinco milhões de votos.

"Sintam a força do que é construir uma nova maioria, sintam a força da esperança" e, "a partir do PJ, semearemos uma nova alternativa democrática e política séria", afirmou.

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