Oposição vence primeiro turno no Chile

O candidato da oposição Sebastián Piñera, venceu o primeiro turno das eleições presidenciais do Chile, depois de levar 44% dos votos, seguido pelo ex-presidente Eduardo Frei, o candidato governista, que ficou em segundo lugar com 29,6%. Com o resultado, o direitista Piñera, da Renovação Nacional (RN) e Frei, da frente de centro-esquerda Concertación, devem disputar o segundo turno das eleições presidenciais chilenas no dia 17 de janeiro.

BBC Brasil |

Piñera dedicou sua vitória aos pobres e à classe média chilena, afirmando que, caso seja eleito, eles serão os setores "mais atendidos" por seu governo.

"Demos um passo gigantesco. Temos mais de 14 pontos de diferença para o candidato Frei. Quero agradecer aos que nos apoiaram e abrir os braços para os que não apoiaram", disse o empresário à TV chilena.

Piñera, que é dono da empresa aérea Lan Chile, disse que vai buscar votos junto a eleitores que querem a "criação de empregos e o combate à delinquência e ao narcotráfico".

Ele afirmou ainda que concorda com o candidato independente derrotado Marco Enriquez-Ominami, dissidente da base governista, que disse que a Concertación está "desgastada" e é preciso "mudança".

Em seu discurso, no entanto, Ominami afirmou que não apoia nenhum dos candidatos. "A velha política vai disputar o segundo turno", afirmou ele, referindo-se a Piñera e Frei.

Por sua vez, Eduardo Frei, que governou o país entre 1994 e 2000 declarou que o segundo turno será entre "a direita e os progressistas" e que a eleição será "voto a voto".

'Tranquilidade'
A presidente Michelle Bachelet elogiou a tranquilidade do dia da votação, afirmando que o país "mostrou, mais uma vez, maturidade democrática".

Ela ainda destacou o "fim da exclusão política" na eleição em que Ominami, candidato independente, obteve 20% dos votos, e Jorge Arrate, que até há pouco tempo integrava a Concertación, ficou com 6%.

O analista político Guillermo Holzmann, professor da Universidade do Chile, disse à BBC Brasil que a diferença de votos entre Piñera e Frei no primeiro turno favorece o candidato opositor.

"Estimamos que pelo menos 30% dos votos de Ominami devam ir para Piñera. A decisão de Ominami de liberar seus eleitores também favorece o candidato de direita. Essa é uma eleição sem ideologias", ressaltou Holzmann.

Já Patricio Navia, da universidade Diego Portales, afirmou que "a Concertación poderá ter uma boa votação", mas enfatizou que se a frente adotar um discurso "contra a direita", poderia beneficiar Piñera.

Holzmann e o também analista político Claudio Fuentes, da Diego Portales, destacaram que a eleição foi marcada pela apatia: cerca de 30% dos jovens não votaram.

Eles lembram ainda que, apesar de 80% da popularidade de Bachelet, seu apoio não foi transferido para Frei no primeiro turno.

O próximo presidente chileno tomará posse no dia 11 de março.

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