Oposição usa sermão oficial contra resultado das eleições no Irã

Teerã, 17 jul (EFE).- A oposição iraniana aproveitou hoje o sermão oficial de Teerã para expressar mais uma vez seu protesto contra os resultados das eleições presidenciais de 12 de junho, nas quais o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito, em meio a grandes suspeitas de fraude.

EFE |

O sermão, considerado pelos observadores como o termômetro para medir a temperatura política e social do Irã, teve a presença de dois dos três candidatos reformistas derrotados, o ex-primeiro-ministro Mir Hussein Moussavi e Mehdi Karroubi.

Os dois qualificaram sistematicamente de "fraudulentos" os resultados das eleições, nos quais o ultraconservador Ahmadinejad obteve cerca de 62% dos votos.

Com bandeiras verdes, a cor do Islã e também o símbolo da candidatura de Moussavi, seus simpatizantes gritaram continuamente "Deus é grande", as mesmas palavras de ordem ouvidas todas as noites nos telhados como forma de protesto contra o resultado das eleições.

Ao final do sermão, os partidários do "movimento verde" tentaram fazer uma manifestação pacífica, mas, segundo diversas testemunhas, foram reprimidos pela Polícia, que utilizou material antidistúrbios e realizou diversas detenções.

O movimento opositor tinha convocado dias atrás os iranianos a aproveitar o sermão de hoje para expressar seu protesto, depois que se soubesse que o imame a cargo do sermão de hoje era o aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, que apoia Moussavi.

Rafsanjani - considerado um dos grandes rivais políticos de Ahmadinejad, contra quem disputou a Presidência no pleito de 2005 e saiu derrotado - voltou a criticar hoje a desconfiança gerada na sociedade após 12 de junho.

"Essa desconfiança perdurou até hoje e está desgastando o povo", disse Rafsanjani, que pediu ao Governo, à Polícia e à oposição que atuem dentro da legalidade para devolver a confiança aos cidadãos.

Rafsanjani disse que a República Islâmica não é um termo protocolar, mas "é uma realidade composta por dois conceitos que herdamos do Islã e do Corão".

As palavras de Rafsanjani, chefe da influente Assembleia de Especialistas e do Conselho de Discernimento, foram interrompidas várias vezes pelos milhares de presentes ao sermão.

O clérigo voltou a insistir na necessidade de libertar os presos após os protestos pelo resultado eleitoral, e pediu um clima de moderação e transparência satisfatório para todos.

Sobre a atitude do regime em relação aos meios de comunicação, Rafsanjani disse: "deixem que trabalhem dentro da lei para poder criar um ambiente de tranquilidade, de liberdade tanto para os que criticam quanto para os que apoiam".

Há vários dias, as autoridades iranianas destacaram a necessidade de usar a tribuna do sermão para promover a união nacional e para evitar fissuras no tecido social.

O grande aiatolá Naser Makarem Shirazi, um dos clérigos mais importantes e influentes do Irã, alertou hoje, em mensagem divulgada pela televisão pública, sobre a necessidade de estar atentos às "conspirações inimigas".

Apesar de tudo, as palavras de ordem hoje dos participantes do sermão mostram uma clara diferença entre os partidários do regime, que gritavam "morte aos EUA", e os opositores, que diziam "morte à Rússia", o estreito aliado do Irã e o primeiro país a felicitar Ahmadinejad por sua vitória nas eleições. EFE msh/an

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