Oposição usa crise econômica contra Correa em eleições gerais

Quito, 25 abr (EFE).- A crise econômica, que ainda não chegou com força ao Equador e que foi usada pela oposição como argumento contra o principal favorito nas pesquisas, o presidente Rafael Correa, deu o tom da campanha das eleições gerais equatorianas, que acontecem amanhã.

EFE |

Além do chefe de Estado, concorrem à Presidência o empresário Álvaro Noboa, o ex-presidente Lúcio Gutiérrez, a socialista Martha Roldós, o socialdemocrata Carlos González, o esquerdista Diego Delgado e os independentes Carlos Sagñay e Melba Jácome.

O desemprego e a inflação foram os principais argumentos dos opositores para criticar a gestão de Correa que, por sua vez, defendeu um programa financeiro desatrelado das receitas tradicionais dos organismos multilaterais.

O desemprego aumentou no primeiro trimestre do ano e chegou a 8,6%, o que representa 1,3 ponto acima da taxa de dezembro.

A inflação também teve uma tendência de alta em março, mas o Governo equatoriano acredita que o índice não passará dos dois dígitos até o fim do ano.

Apesar das indicações de crise, o Governo de Correa destaca que o crescimento da economia registrou, em 2008, um dos maiores índices da América Latina, com 6,5%.

No entanto, o chefe de Estado advertiu de que haverá efeitos negativos na economia equatoriana devido ao contágio da crise global, mas ressaltou que as consequências não serão dramáticas graças aos programas de fortalecimento do balanço de pagamentos, ao fomento do emprego e ao impulso à produção realizado pelo Executivo.

Apesar disso, o opositor Lúcio Gutiérrez acusou o presidente de conduzir o país a uma situação financeira crítica, e duvida de que os programas "anticrise" surtam o efeito desejado pelo Governo.

Além disso, afirma que a estratégia de Correa é eliminar a dolarização no Equador, para abrir caminho a uma nova moeda regional.

Assim como Gutiérrez, Noboa afirma que o Governo de Correa conseguiu apenas "espantar" o investimento estrangeiro e a empresa privada, como importantes fatores de desenvolvimento.

O opositor destaca que Correa representa um modelo "socialista" de economia, pelo papel que concedeu ao Estado na regulação financeira e que estima que levará, cedo ou tarde, a transformar o Equador em um modelo semelhante a Cuba.

Já González acusa o líder equatoriano de ter desperdiçado o tesouro nacional e pulverizado os royalties do petróleo, e, por isso, segundo o socialdemocrata, a crise chegará ao Equador mais rápido do que o Governo pensa.

O candidato teme que, este ano, a economia nacional registre um índice de 0% "ou abaixo de 0%", com efeitos negativos ao emprego, ao comércio, à inflação e ao bem-estar cidadão.

Os independentes Jácome e Sagñay acreditam também que o atual Governo errou o caminho e prometem que, se forem eleitos, dirigirão o Executivo para a direita.

Já a socialista Roldós e o esquerdista Delgado asseguram que Correa segue as mesmas receitas de outras Administrações e que não mudou o modelo neoliberal, o qual o presidente diz combater.

Para os dois, o presidente é "um pouco mais do mesmo", mas "disfarçado" de esquerda. Eles afirmam que, se vencerem nas urnas, promoverão modelos "verdadeiramente socialistas". EFE fa/db

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