Oposição tenta manter protestos no Irã, apesar de repressão

Javier Martín. Teerã, 24 jun (EFE).- Centenas de pessoas protestaram hoje em frente à sede do Parlamento iraniano, apesar da repressão oficial, da ausência dos líderes de oposição nas manifestações e da ausência da imprensa.

EFE |

A manifestação foi convocada através de um comunicado divulgado na internet, em nome do principal líder da oposição, Mir Hussein Moussavi, que não aparece em público desde o sermão do líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei, realizado na sexta-feira passada.

Sua presença tinha sido anunciada, além da de sua esposa, Zahra Raharnavad, que se tornou uma das estrelas das polêmicas eleições.

No entanto, quase ao mesmo tempo, os seguidores do líder da oposição tinham sido avisados de que a concentração não contaria com a presença de Moussavi, através de seu site.

Além disso, o site negava que tivesse caído nas mãos de hackers, como a imprensa local tinha informado.

Mesmo assim, cerca de 500 pessoas tentaram se reunir hoje na frente do Parlamento iraniano, no centro-sul de Teerã, para protestar, no décimo dia consecutivo, por seu descontentamento com os resultados das eleições presidenciais do dia 12 de junho.

Milhares de soldados e grupos da milícia islâmica Basij, armados com paus e barras de ferro, reprimiram a manifestação e usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, explicaram testemunhas à Agência Efe.

As mesmas testemunhas afirmaram que os manifestantes levantaram as mãos fazendo sinal de vitória com os dedos e gritaram "Alahu Akbar" (Deus é o maior), entoado durante a revolução em 1979. A manifestação durou duas horas.

A repressão dos protestos continuou na noite da segunda-feira, quando a Polícia invadiu a sede do jornal "Kalameh", favorável a Moussavi, situada em um edifício da Praça Haft-e Tir, no centro de Teerã.

Fontes da oposição disseram à Efe que pelo menos 20 pessoas foram presas, a maioria deles jornalistas.

O jornal não estava mais em funcionamento, mas a sede ainda era utilizada como ponto de reunião, acrescentaram.

A Polícia, em comunicado divulgado através da agência oficial de notícias iraniana "Irna", anunciou que tinha destruído o quartel-general dos "sabotadores", utilizado por "um dos candidatos" derrotados.

Documentos que provavam uma suposta conspiração e o envolvimento de estrangeiros foram encontrados na ex-sede da redação do jornal, divulgou a emissora local "PressTV".

Enquanto a repressão no país não pára, o Irã mantém suas acusações de complô de países ocidentais, especialmente os Estados Unidos e o Reino Unido, aos que acusa de planejar uma "revolução de veludo".

O ministro iraniano de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, confirmou hoje a expulsão de dois diplomatas britânicos e deu a entender que seu país planeja diminuir suas relações com Londres.

Em entrevista coletiva, o chefe da diplomacia iraniana explicou que os dois secretários da embaixada britânica foram expulsos por causa "de interferência" nos assuntos internos do Irã.

Além disso, o ministro de Inteligência, Gholam Hussein Mohseni Ejei, anunciou que dois cidadãos com passaporte britânico tinham sido presos durante os distúrbios que, há dez dias, sacodem o país.

O ministro do Interior, Sadeq Mahsuli, acusou a CIA e o grupo opositor armado Mujahedin Khalq (Combatentes do Povo) de provocarem os distúrbios.

O líder supremo da Revolução iraniana, o aiatolá Ali Khamenei, voltou a respaldar a polêmica vitória eleitoral do presidente Mahmoud Ahmadinejad e ressaltou que o regime "não cederá às pressões" populares.

Em declaração divulgada através da televisão estatal, a máxima autoridade do Irã pediu aos candidatos que ponham um fim aos protestos e chamou todos os iranianos a apoiarem os trabalhos do Governo.

"A lei deve ser aplicada. Nem o sistema, nem o povo cederão com o uso da força", afirmou.

A "PressTV" anunciou hoje que a apuração parcial realizada pelo Conselho de Guardiães em 10% das urnas confirmou os polêmicos resultados. EFE jm/pd

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