Oposição tailandesa diz ter maioria para formar Governo

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 8 dez (EFE).- O opositor Partido Democrata anunciou hoje que conta com os apoios suficientes no Legislativo para formar o próximo Governo e tirar a Tailândia da profunda crise política na qual se encontra imersa.

EFE |

O líder dos democratas tailandeses, Abhisit Vejjajiva, de 44 anos, afirmou que tem 260 dos 448 deputados aos quais ficou reduzido Congresso desde que o Tribunal Constitucional dissolveu, por fraude eleitoral, três partidos da coalizão governante e desabilitou seus dirigentes para desempenhar cargos públicos, na terça-feira passada.

"O próximo passo é a realização de uma sessão parlamentar especial para votar pelo novo primeiro-ministro. Estamos determinados a fazer tudo o possível para solucionar os problemas do país", indicou Vejjajia, que espera se transformar no 27o chefe do Governo de Tailândia desde que caiu a monarquia absolutista, em 1932.

O secretário-geral do Partido Democrata, Suthep Thaugsuban, solicitou hoje ao presidente da Câmara Baixa do Parlamento, Chai Chidchob, que convoque a sessão extraordinária.

O Congresso dispõe de 30 dias para escolher um novo primeiro-ministro a partir de quando Somchai Wongsawat perdeu o cargo com a decisão do Tribunal Constitucional e suas funções recaíram no vice-primeiro-ministro primeiro, Chaovarat Chanweerakul, e necessita da autorização formal do rei Bhumibol Adulyadej, que na sexta-feira completou 81 anos.

Os parlamentares que apóiam o Governo e que se filiaram, após perder suas formações, no Puea Thai, fundado em setembro já em prevenção à possível decisão judicial que acabou dissolvendo seus antigos partidos, não se opuseram à realização da sessão.

O Puea Thai insiste em que poderá governar em minoria com 226 deputados, número que não concorda com os 260 que dizem ter os opositores, porque supera os 480 assentos do Parlamento.

As vozes em apoio da oposição começam a soar com mais força, como a do presidente da Junta de Comércio da Tailândia, Pramon Sutivongm, que opinou no domingo que o Governo atual fracassou em tirar o país da crise.

"Estou convencido de que um Governo liderado pelo Partido Democrata resolverá os problemas do país. Embora o líder dos democratas, Abhisit Vejjajiva, seja relativamente jovem, tem a experiência política necessária para restaurar a confiança entre a comunidade empresarial", manifestou Sutivongm.

A possibilidade de outro Executivo do mesmo estilo do que governa a Tailândia aviva os temores de que a Aliança do Povo para a Democracia volte a levar protestos às ruas e a piorar a situação.

A Aliança, apoiada pela elite conservadora e uma ala militar e que usa a imagem da Monarquia como emblema, propiciou o contexto caótico adequado para o golpe militar que depôs o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra em 2006.

A vitória dos aliados de Shinawatra nas eleições de 2007, que restabeleceram a democracia após o levante, ressuscitou a Aliança, que iniciou os protestos em maio.

Em 26 de agosto, os manifestantes tomaram a sede do Governo da Tailândia e, no final de novembro, invadiram os dois principais aeroportos de Bangcoc durante uma semana, deixando cerca de 350 mil passageiros parados.

Desde o pleito, dois primeiros-ministros associados de Shinawatra perderam seus cargos, o veterano Samak Sundaravej e Somchai Wongsawat, e, embora ambos tenham caído por decisões do Tribunal Constitucional alheias aos protestos, a Aliança cantou vitória em ambas as ocasiões.

Em contraposição, os seguidores do foragido Shinawatra, que em outubro foi condenado a dois anos de prisão por corrupção, têm montada sua Aliança Democrática contra a Ditadura que anuncia mobilizações caso perca o poder. EFE grc/jp

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