Oposição tailandesa desafia restrições e convoca novo protesto

Por Jason Szep e Martin Petty BANGCOC (Reuters) - A oposição tailandesa decidiu manter o protesto convocado para sexta-feira em Bangcoc, apesar do decreto de emergência que entrou em vigor na capital na quarta-feira para conter quase um mês de manifestações pela realização de novas eleições.

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Na quinta-feira, já sob a vigência do estado de emergência, quase mil manifestantes "camisas vermelhas", seguidores do ex-premiê Thaksin Shinawatra, entraram em confronto com a polícia ao tentarem furar o cerco a uma emissora por satélite que serve de porta-voz dos manifestantes, no norte do país. O governo havia tirado a emissora do ar na quinta-feira, e a tropa de choque cercou o local. À noite, os manifestantes haviam se dispersado.

O primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, que despacha atualmente em um quartel, cancelou uma viagem de um dia ao Vietnã, onde participaria de uma cúpula regional. Dezenas de milhares de manifestantes ignoraram as repetidas ordens para acabar o cerco de seis dias ao principal bairro comercial de Bangcoc.

"Vamos rasgar todas as leis", disse Nattawut Saikua, líder dos "camisas vermelhas", sob aplausos de seus seguidores, após a convocação da manifestação de sexta-feira, em pontos não-revelados da capital.

"Não queremos chamar isso de último dia, mas se pudermos dar um nocaute, definidamente iremos", disse ele. "Isso tudo é para Abhisit dissolver o Parlamento."

O principal índice da Bolsa local teve sua maior queda em quase seis meses. "Temos de admitir que o fator político afetou consumidores e empresas", disse a jornalistas Suchart Sakkankosone, economista-chefe do Banco da Tailândia, acrescentando que a crise pode também antecipar uma alta dos juros, prevista pela maioria dos economistas para junho.

Desde 22 de fevereiro, os investidores estrangeiros já retiraram cerca de 1,8 bilhão de dólares da Bolsa local, revertendo a onda de aquisições que havia sido estimulada pela recuperação econômica e pelo bom preço das ações locais.

A economia tailandesa, segunda maior do Sudeste Asiático, pode sofrer uma redução de 0,2 a 1,5 por cento neste ano, dependendo da gravidade da crise política, disse o Centro de Pesquisas Kasikorn em nota a seus clientes.

(Reportagem adicional de Pracha Hariraksapitak)

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