Oposição sudanesa não acredita em oferta do partido governista

Cartum, 15 abr (EFE).- O principal partido da oposição sudanesa, o Al Umma, afirmou hoje que a proposta lançada ontem pelo partido governante de convidar os grupos da oposição para formar um Governo conjunto caso ganhe as eleições não é séria.

EFE |

"Essa proposta é para formar um Governo de coalizão ou para estar sob o controle do (governante) Partido do Congresso Nacional (PCN)?", questionou o membro do escritório político do partido Al Umma, Latif Joseph Sabag em declarações à Agência Efe .

O Al Umma foi o partido que teve mais votos nas eleições pluripartidárias de 1986, as últimas antes do pleito presidencial, parlamentares e regional que começou no domingo passado e termina hoje.

Assim como outras forças políticas da oposição, o partido decidiu boicotar a eleição ao considerar que não havia garantias de que seria uma votação limpa.

Sabag, que insistiu que a fraude eleitoral aconteceu nas primeiras fases do processo, "durante a elaboração do censo, o registro de candidatos e o desenho das circunscrições", reiterou que o Governo já tentou, sem sucesso, pactuar com seu partido para fazer parte do Executivo em ocasiões anteriores.

Ontem o PCN assegurou que caso ganhe as eleições gerais convidará "todos" os partidos da oposição para formar o Governo.

"Se a vitória do PCN for anunciada, este convidará todos os partidos, incluídos os que não participaram das eleições, a unir-se ao Governo", afirmou Gazi Salah al Din, conselheiro do presidente sudanês, Omar al Bachir.

Enquanto isso os sudaneses seguem indo aos colégios eleitorais no quinto e último dia das primeiras eleições pluripartidárias no país mais extenso da África em 24 anos.

Empenhadas em conseguir uma alta percentagem de participação, as autoridades declararam feriado hoje. A idéia é fazer com que os eleitores que não conseguiram votar ainda acudam hoje às urnas, que fecham suas portas definitivamente às 18h local (12h, Brasília).

Um dos eleitores, Khaled Mohammed, confessou à Efe na porta de um colégio eleitoral em Cartum Bahri, cidade vizinha a Cartum, que tinha vindo votar hoje porque era feriado. Como ele é funcionário não conseguiu vir antes.

Horas antes do fechamento das urnas, bandeiras sudanesas com a foto do presidente e principal favorito, Omar Hasan al Bachir, já eram vendidas no centro da cidade. EFE jfu/pb

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