Oposição se une para barrar reeleição ilimitada de Chávez

Esther Borrell. Caracas, 14 fev (EFE).- Os diversos partidos da oposição venezuelana se uniram numa plataforma do não para derrotar os planos do presidente do país, Hugo Chávez, de conseguir a reeleição ilimitada, apontada pelos opositores como uma tentativa do chefe de Estado de se perpetuar no poder.

EFE |

"O que interessa a Chávez é permanecer no cargo e desfrutar de todos os benefícios. Por isso, ele se empenha em nos colocar outra vez num beco eleitoral (...). Em 15 de fevereiro, vamos dizer que não queremos a emenda", afirmou o líder opositor Manuel Rosales há quase uma semana.

Os venezuelanos foram convocados às urnas neste domingo para se pronunciarem sobre uma emenda constitucional que, se aprovada, permitirá que políticos eleitos sejam candidatos a mais de dois mandatos seguidos.

No caso específico de Chávez, a mudança na Carta Magna possibilitará a ele a disputa de um terceiro mandato presidencial consecutivo nas eleições de 2012.

No comício do domingo passado, ao lado de representantes dos partidos Um Novo Tempo (UNT), Primeiro Justiça, Copei, MAS e Bandera Roja, Rosales pediu que os eleitores se mobilizem contra a emenda promovida pelo presidente.

Além disso, advertiu que "a vantagem (dos governistas) é apertada e uma hesitação pode fazê-los perder".

"Aqui não está em jogo um partido político nem um candidato. O que está em jogo é o modelo de país que queremos", declarou o líder opositor, derrotado por Chávez no pleito presidencial de 2006 e atual prefeito da cidade de Maracaibo, no oeste da Venezuela.

Pouco após as eleições de três anos atrás, nas quais obteve mais de 30% dos votos, Rosales fundou o UNT, um novo partido opositor em meio às várias legendas contrárias a Chávez, que poucas vezes conseguiram se unir contra o Governo.

Na atual campanha pelo referendo, Rosales, assim como outros porta-vozes da oposição, ressaltou que os venezuelanos já disseram "não" ao presidente quando, no referendo de 2 de dezembro de 2007, ele propôs a reforma constitucional, que também incluía a possibilidade de reeleição ilimitada.

Sob o lema "Não é Não", vários líderes opositores se uniram no sábado passado a uma marcha convocada em Caracas pelos estudantes contrários ao Governo, que pediram à população que rejeite a emenda de Chávez.

O prefeito de Caracas, o opositor Antonio Ledezma, se uniu aos manifestantes para destacar que "os primeiros na linha de frente defendendo seu futuro são os jovens", já que (Chávez) "está impondo uma barreira a esta importante geração".

Na opinião de Ledezma, "os jovens protestam porque, com a reeleição indefinida, querem tirar deles o futuro" e negar-lhes a possibilidade "de serem protagonistas das mudanças".

"Não admitimos um capataz que queira fazer o que lhe vem na telha com o presente e o futuro da Venezuela", disse.

O referendo de 15 de fevereiro será uma "grande oportunidade para se defender a liberdade, a justiça", afirmou o líder opositor.

Em recentes declarações à Agência Efe, Ledezma disse que "a democracia participativa da qual Chávez se sentia criador" acabou "sucedida por um autoritarismo que tem sua máxima expressão nesta obsessão por modificar a Carta Magna e estabelecer a reeleição sem limite".

Os partidos opositores venezuelanos, que dificilmente conseguem encontrar um ponto que os una, buscaram novamente constituir uma frente comum contra a iniciativa do chefe do Estado.

Segundo o analista Luis Vicente León, a rapidez com a qual Chávez lançou a proposta, em novembro passado, responde, em parte, aos resultados das eleições do mesmo mês. Nelas, apesar de o partido governista ter ganhado em números, a oposição venceu em estados importantes e em colégios eleitorais "simbólicos".

Os vencedores nessas praças, como Henrique Capriles - no estado de Miranda - e o próprio Ledezma - em Caracas -, viraram líderes que, segundo o especialista, podem vir a ofuscar o presidente.

Menos de três meses depois do último pleito, os venezuelanos se vêem de novo diante das urnas, num país em estado permanente de campanha e polarizado entre "chavistas" e opositores. EFE eb/sc

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