Oposição se retira da campanha 3 dias antes da votação no Sudão

Jorge Fuentelsaz. Um Durman (Sudão), 8 abr (EFE).- Sadiq al Mahdi, líder do Al Umma (a nação), principal partido da oposição sudanesa, confirmou hoje a decisão de seu grupo de boicotar as próximas eleições, embora tenha deixado a porta aberta para participações pontuais.

EFE |

"A maioria dos membros do partido escolheram o boicote", disse em uma conferência realizada na sede central de seu partido em Um Durman, cidade irmã de Cartum.

No entanto, o dirigente opositor comentou que o partido deve estudar a participação em algumas circunscrições e províncias, como no Nilo Azul ou Kordofán Sul.

Sob um toldo repleto de jornalistas e de seguidores, que interrompiam o discurso com frequência aos gritos de "Alahu Akbar" (Deus é grande), Mahdi explicou que a decisão de boicotar a votação se deve a que as "eleições não representam o desejo real do povo" e que, além disso, estão cheias de irregularidades.

A decisão do partido coincide com o penúltimo dia de campanha eleitoral. O presidente do Sudão, Omar Hasan al Bachir, aproveitou para inaugurar a prisão de Merawi, a principal do país, no que definiu como seu último ato oficial como presidente.

As ruas estão tomadas por cartazes eleitorais do presidente, cujo símbolo, uma árvore verde com as raízes aparecendo, se impõe.

"Há mais cartazes de Bashir porque ele é o que tem mais capacidade econômica", assegura Amin, um cidadão que se declara independente, embora considere que entre os candidatos à Presidência o mais preparado é o atual líder.

A saída do Al Umma soma-se à do candidato do Movimento Popular de Libertação do Sudão (MPLS), o principal partido do sul, e à de outros partidos menores como o Comunista Al Umma para a Reforma.

Após o abandono de Mahdi, a formação de Mohammed Osman Al-Migrani, o partido Unitário Democrático, é a única força com alguma presença considerável na arena política.

Mahdi criticou que as condições mínimas para garantir a transparência eleitoral não foram cumpridas e especialmente o fato de Bashir ter se rejeitado a adiar a data do pleito. No entanto, ele também destacou que as eleições foram positivas em vários aspectos.

"A liberdade no Sudão aumentou" graças às eleições, disse Mahdi, que ressaltou que o processo contava com "uma grande credibilidade" em comparação com as realizadas em países vizinhos, que não citou, e em épocas anteriores.

Estas críticas, que coincidem com as expressadas pela missão de observação da União Europeia, que anunciou ontem sua retirada de Darfur, no oeste do país, não são compartilhadas por algumas organizações sudanesas que insistiram na limpeza e transparência do processo eleitoral.

"Temos 237 observadores em todo o país e não registramos até o momento nenhuma violação ou irregularidade", disse Iêmen Muhamad Ahmad Al Imame, coordenadora da ONG Muminat e do Centro Afroarabe do Sudão para a Observação das Eleições à Agência Efe.

Além disso, Imame insistiu, em referência declarações dos observadores da UE e do partido Al Umma, que eles não interferem no trabalho de outras organizações ou de partidos políticos. EFE jfu/pb

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