Oposição queniana pede dissolução do Governo do país

Pedro González Lasuén Nairóbi, 7 abr (EFE).- Raila Odinga, líder do principal partido opositor do Quênia, o Movimento Democrático Laranja (ODM, em inglês), pediu hoje a dissolução do Governo do presidente do país, Mwai Kibaki, já que continua estagnada a criação da primeira Administração de coalizão da história desta nação africana.

EFE |

Em entrevista coletiva concedida na sede do ODM, Odinga disse estar em "um beco sem saída, já que uma das razões da falta de consenso é a recusa dos atuais ministros em renunciar de seus cargos".

O líder opositor acusou os ministros de Kibaki de "se prenderem a suas poltronas, à margem do interesse coletivo" do Quênia.

Uma nova reunião entre o presidente queniano e Odinga estava prevista para hoje depois do desacordo ocorrido no domingo, data marcada para anunciar a composição do Governo.

No entanto, Odinga não compareceu aos escritórios da Presidência, onde Kibaki esperava em companhia de seus ministros de Justiça e de Segurança Interna, Martha Karua e George Saitoti, respectivamente.

O líder do ODM preferiu realizar uma reunião de "emergência" com seus principais assessores devido à "mudança de última hora efetuada por Kibaki na lista previamente estipulada".

Odinga, que foi designado primeiro-ministro em março, mas ainda não assumiu, acrescentou que seu partido se manifestará contra o número de ministérios, que chega a 40.

A quantidade de pastas foi duramente criticada por amplos setores da sociedade queniana, que consideram excessivos os custos de manter um Executivo com tantos membros.

Segundo um estudo realizado pelo jornal queniano "Daily Nation", o orçamento superaria US$ 100 milhões em apenas nove meses.

Um porta-voz do ODM contou à Agência Efe que o PNU não quer ceder nos postos-chave: Segurança Interna, Defesa, Finanças, Administração Local, Transporte, Energia, Assuntos Exteriores e Educação.

"Para o ODM, não faz sentido ocupar pastas irrelevantes após a legenda ter obtido a maioria no Parlamento", disse a fonte.

Durante a entrevista coletiva, Odinga não adiantou novas datas para futuras reuniões com Kibaki.

Um dos deputados eleitos do ODM chegou a dizer que, "atualmente, é possível afirmar que as negociações fracassaram".

Enquanto a classe política continua paralisada, o descontentamento cresce entre a população queniana, impaciente pela ausência de um Governo capaz de resolver a grave crise econômica que afeta o país.

A falta de consenso atual deu cabo do acordo de reconciliação nacional que conseguiu pôr fim à violência política com conotações tribais surgida após o anúncio dos resultados das eleições gerais do dia 27 de dezembro de 2007.

A Comissão Eleitoral do Quênia proclamou Mwai Kibaki como vencedor apesar das denúncias da oposição, que acusaram o Governo de fraude eleitoral.

Mais de 1.500 pessoas morreram em uma onda de violência sem precedentes na história do Quênia e mais de 400 mil foram deslocadas de seus lugares de origem.

A situação dos deslocados é precária devido à época das chuvas, o que multiplicou os riscos de epidemias nos campos de refugiados.

A situação humanitária, a crise econômica que afeta especialmente o turismo - importante fonte de divisas para o Quênia - e a batalha política ameaçam a estabilidade do outrora país mais estável do nordeste africano. EFE pgl/bba/db

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