Nairóbi, 9 abr (EFE) - O partido oposicionista queniano Movimento Democrático Laranja (ODM, em inglês) criticou hoje o silêncio do presidente do país, Mwai Kibaki, sobre o processo de criação de um Governo de coalizão enquanto novos confrontos explodem entre a Polícia e partidários da oposição. O porta-voz do ODM, Salim Lone, disse à Agência Efe que não houve resposta à carta enviada na terça-feira a Kibaki pelo líder do partido e primeiro-ministro designado de um eventual Governo de coalizão, Raila Odinga. A formação do novo Executivo foi estipulada entre o ODM e o governamental Partido de União Nacional (PNU, em inglês) com a assinatura do chamado Pacto de Reconciliação Nacional no dia 28 de fevereiro sob a mediação do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan. O silêncio de Kibaki contribuiu para aumentar a confusão criada na terça-feira pelas declarações do vice-presidente queniano, Kalonzo Musyoka. Em entrevista coletiva, Kalonzo afirmou que o Executivo está pronto para diminuir de 40 para 20 o número de ministros acordado com o ODM. O vice-presidente foi além ao dizer que o Governo também considera a idéia de realizar novas eleições. As palavras de Kalonzo trouxeram mais incertezas quanto às reais intenções do Governo queniano, imóvel frente às exigências da oposição, mas aparentemente disposto a sair da crise. Para o ODM, por outro lado, a única coisa que Kibaki quer é ganhar tempo para permanecer no cargo que usurpou, afirmou Lone. ...

Segundo relatos não oficiais, a Polícia abriu fogo contra os manifestantes que lançavam pedras e um número indeterminado de jovens teria ficado feridos.

A estagnação da situação política queniana preocupa a comunidade internacional. Os Estados Unidos deixaram claro seu descontentamento, tanto com Kibaki quanto com Odinga, por meio de seu embaixador em Nairóbi, Michael Ranneberger.

"As relações entre Estados Unidos e Quênia dependem do acordo para a criação de um Governo de coalizão", disse o diplomata, acrescentando que "será muito difícil trabalhar no Quênia se o acordo não for ratificado".

Apesar do tom ameaçador de suas palavras, Ranneberger disse confiar plenamente em "um final feliz para todos". EFE pgl/bba/db

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