Oposição promete novas manifestações em Teerã

Partidários do candidato derrotado nas eleições iranianas, Mir Hossein Mousavi, prometeram voltar às ruas nesta quarta-feira contra os resultados eleitorais que acusam de fraudulentos. As manifestações ocorrem após a prisão de dois importantes opositores e de uma noite em que batidas policiais foram realizadas residências universitárias em diferentes partes do país.

BBC Brasil |

O correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, afirmou que os manifestantes querem ocupar partes do centro da capital no meio da tarde desta quarta-feira. Segundo ele, a cidade permanece tensa e em alerta.

Mas a imprensa estrangeira não tem liberdade para cobrir os protestos nem se movimentar livremente pela cidade. Poucos detalhes circularam a respeito de uma passeata na terça-feira, que parece ter se realizado sem maiores incidentes.

Oito pessoas já morreram em enfrentamentos entre os manifestantes e as forças policiais desde o sábado, quando os protestos se intensificaram. Os opositores contestam o resultado das eleições realizadas na sexta-feira.

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, pediu calma à população e o fim das tensões.

Prisões e batidas
Relatos dão conta de que duas figuras da oposição, o ativista e jornalista Reza Jalaipour e o comentarista Saeed Laylaz, foram presas na manhã desta quarta-feira.

Laylaz é um analista político e econômico crítico ao governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad e presença freqüente nas reportagens da imprensa estrangeira.

Cerca de cem opositores foram presos no domingo em meio aos protestos. Muitos foram liberados posteriormente.

Reportagens afirmam que, durante a madrugada, membros da milícia Basij realizaram operações em residências estudantis em diversas cidades do país. Estudantes teriam sido agredidos e prédios, revistados. De acordo com o correspondente da BBC, o reitor da universidade na cidade de Shiraz renunciou ao cargo.

Os estudantes estão entre os mais ativos membros da oposição iraniana e a atuação das forças policiais em ambientes estudantis tem criado tensões. No incidente mais ilustrativo dos últimos dias, 120 professores da Universidade de Teerã pediram demissão após uma batida na instituição.

Em meio à crise, o Conselho dos Guardiões do Irã, órgão que supervisiona a eleição presidencial, anunciou que está disposto a recontar os votos do pleito contestados pela oposição. Mas um porta-voz do conselho disse à TV estatal iraniana que a eleição não será anulada, como exigem os candidatos moderados.

A oposição diz que a recontagem seria insuficiente, já que milhões de cédulas eleitorais teriam desaparecido.

Obama
Em uma mudança de postura, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse não enxergar muitas diferenças entre as políticas do atual presidente iraniano e as promessas de seu principal opositor.

"É importante entender que, apesar da grande agitação que está acontecendo no Irã, as diferenças entre Ahmadinejad e Mousavi podem não ser tão grandes como tem sido divulgado", afirmou Obama em entrevista à rede de televisão norte-americana CNBC.

"De qualquer maneira, teremos que lidar com um regime iraniano que é historicamente hostil aos EUA", disse.

Pouco antes, durante uma coletiva de imprensa com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-Bak, na Casa Branca, Obama se esquivou mais uma vez de tomar partido na questão e disse que o governo dos Estados Unidos não pode "se intrometer" nas eleições iranianas.

"Não é produtivo - dada a história das relações entre EUA e Irã - que sejamos vistos interferindo, que o presidente dos Estados Unidos se intrometa nas eleições iranianas", afirmou.

De acordo com Justin Webb, correspondente da BBC em Washington, a resistência de Obama em tomar partido a respeito da crise política instalada no Irã pode ser fruto de relatórios de inteligência dos EUA que sugerem que Ahmadinejad pode realmente ter vencido as eleições de sexta-feira.

Mesmo assim, Obama tem sido pressionado por alguns políticos conservadores dos EUA a apoiar abertamente os manifestantes no Irã, que alegam que a vitória de Ahmadinejad seria fruto de fraude eleitoral.

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