Oposição põe 100 mil nas ruas e exige renúncia do Governo tailandês

Miguel F. Rovira.

EFE |

Bangcoc, 14 mar (EFE).- A frente dos chamados camisas vermelhas, que reuniu em Bangcoc cerca de 100 mil manifestantes, deu hoje ao Governo da Tailândia um prazo de 24 horas para renunciar, dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas.

Com o ultimato chegou também a ameaça da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, que fala em marchar em pontos estratégicos da capital tailandesa para paralisar a atividade do Governo e dos organismos oficiais.

"Se não recebermos uma resposta dentro do prazo que demos, vamos marchar pelas ruas de Bangcoc", anunciou aos milhares de manifestantes Nathawut Saikua, considerado um dos dirigentes da ala dura dos camisas vermelhas.

Em comunicado, a frente, que ocupa uma extensa área da capital e pretende ficar ali por vários dias, chamou o Governo de testa-de-ferro dos militares, que em 2006 depuseram o então primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, hoje exilado e ícone dos manifestantes.

Entre um crescente clima de tensão, o premiê tailandês e líder do Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, disse à imprensa que o Governo declarará estado de exceção em Bangcoc no caso de as manifestações colocarem em risco a segurança.

A medida dá ao Governo poder para assumir o controle da segurança em caso de distúrbios na capital tailandesa, onde cerca de 100 mil detratores exigem nas ruas a imediata dissolução do Parlamento e eleições antecipadas.

Se o estado de exceção for aplicado, o Governo pode anular o direito de assembleia pública e o fechamento dos meios de comunicação locais que considerar que incitem a violência.

Vejjajiva, que governa com apoio de uma coalizão de partidos, reiterou que um hipotético golpe de Estado piorará ainda mais a crise em que a Tailândia está imersa desde o último levante militar.

"Se houver um golpe de Estado, o Governo será desalojado do poder e os manifestantes terão que continuar com os protestos. Isso agravará o conflito", apontou o premiê.

As autoridades colocaram nas ruas de Bangcoc mais 50 mil homens da Polícia e do Exército para evitar incidentes similares aos de abril. Naquele mês, duas pessoas morreram e 120 ficaram feridas durante protestos dos camisas vermelhas, que objetivam abrir caminho para a volta de Shinawatra.

Ex-coronel da Polícia, Shinawatra se tornou magnata da telecomunicação e conseguiu o apoio das classes baixas e do meio rural do norte do país com um discurso populista.

Porém, durante a última etapa de seus quase seis anos no poder, que assumiu pela primeira vez em 2001, a gestão de Shinawatra foi marcada por traços autoritários, a inimizade das classes médias urbanas e da elite próxima à monarquia e ao Exército.

Em fevereiro passado, a Suprema Corte apreendeu US$ 1,391 bilhão do total de US$ 2,315 bilhões que o Estado ordenou bloquear nas contas de Shinawatra e de sua família após o levante, por irregulares.

A manifestação de hoje é outro episódio da crise que arrasta a Tailândia desde o golpe contra Shinawatra, que dirige seus seguidores por videoconferência do exílio.

O aparato de segurança foi reforçado neste domingo com outros seis mil soldados, depois que os líderes do protesto anunciaram a intenção de fazer uma manifestação em instalações do Exército no norte da capital. Ali, o primeiro-ministro Vejjajiva despacha com os chefes militares e da Polícia.

Ao mesmo tempo em que os camisas vermelhas ouviam seus líderes nas proximidades do Parlamento, em uma fábrica perto de Bangcoc a Polícia aprendeu dez mil peças para a fabricação de lança-granadas, incluindo 600 armas já montadas, como explicou à imprensa o general Chisnuphon Yuktathat.

Desde 2008, em Bangcoc houve cerca de dez incidentes com esse tipo de artefato. A maioria das granadas foi lançada contra prédios oficiais, residências de altos funcionários do Governo e uma filial do Bangcoc Bank, o maior banco privado da Tailândia. EFE mfr/rr

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