Oposição pede saída do primeiro-ministro tailandês por repressão a protestos

Bangcoc, 31 ago (EFE) - A oposição pediu hoje a renúncia do primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, acusado de agravar a crise gerada pelos protestos que culminaram, na terça-feira, com a tomada da sede do Governo. Os partidos da oposição e da coalizão governamental expuseram as divergências com a forma de resolver a crise política iniciada pelos protestos, durante a sessão extraordinária realizada pelo Parlamento, que começou hoje e deve durar pelo menos dez horas. Na sessão, os deputados da oposição acusaram Sundaravej de estimular as revoltas com sua atitude agressiva após a repressão policial que, na sexta-feira, deixou 50 manifestantes feridos e depois de acusar os líderes opositores de traição. Acho que é o momento de o primeiro-ministro olhar para si mesmo e decidir se ainda está apto para ocupar o cargo, se empenhar-se em seguir, os problemas do país piorarão, disse no plenário Jurin Laksanavisit, destacado membro do opositor Partido Democrata. Em sua resposta, o chefe do Governo reiterou que não vai renunciar pelas manifestações de rua, e destacou que chegou ao poder mediante um processo legítimo, em referência às eleições legislativas que deram a vitória ao Partido do Poder do Povo (PPP) em dezembro. A agressividade é minha natureza, mas não é um comportamento indecente, assinalou o primeiro-ministro tailandês. Não fiz nada de errado e, portanto, tenho direito de continuar meu trabalho como primeiro-ministro. Meu comporta...

EFE |

Sundaravej pediu uma reunião conjunta com caráter urgente das duas Câmaras do Parlamento, após admitir que nem seu Executivo nem os tribunais conseguiram colocar fim às revoltas de rua.

"Já que o Governo não pode resolver a crise, o Parlamento é a melhor solução para encontrar a solução", manifestou o chefe do Governo em um programa de televisão.

Cerca de mil partidários do Governo e da chamada Aliança Democrática contra a Ditadura (DAAD, em inglês) se manifestaram contra o Parlamento para expressar o apoio ao Executivo enquanto ocorria a sessão extraordinária.

A Polícia enviou cerca de mil agentes para evitar confrontos entre os membros do DAAD, muitos vestidos com camisetas vermelhas, e os seguidores da Aliança do Povo pela Democracia (PAD, em inglês), que lidera os protestos contra Sundaravej e seu Governo.

A PAD qualifica o primeiro-ministro e seu Governo de corrupto e de seguir as diretrizes do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto mediante um golpe de Estado cometido em setembro de 2006 pela cúpula militar.

Shinawatra, aliado de Sundaravej e que conta com grande popularidade nas zonas rurais, se encontra exilado no Reino Unido após ser acusado na Tailândia de vários crimes de corrupção.

Pelo menos 15 mil pessoas continuam entrincheiradas desde terça-feira passada na sede governamental, e seus líderes asseguram que não desistirão até que Sundaravej e seu Governo sejam depostos.

Usando camisetas e lenços amarelos, a cor da monarquia, os manifestantes contam com o respaldo da elite urbana e de amplos setores do Exército.

As manifestações antigovernamentais começaram em maio, quando milhares de seguidores da PAD acamparam e montaram um palco em frente ao edifício das Nações Unidas em Bangcoc. EFE grc/db

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