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Oposição paraguaia teme votos fantasmas nas eleições gerais

Luis Báez Assunção, 19 abr (EFE).- Falhas no censo eleitoral podem render direito a voto no pleito deste domingo a cidadãos já mortos e a milhares de paraguaios que emigraram nos últimos anos, segundo denúncias da oposição.

EFE |

O próprio Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) local reconhece que o censo de votantes, composto por 2,8 milhões de pessoas em um universo de 6 milhões de paraguaios, não foi apurado de forma adequada em quase duas décadas de democracia no país.

"O censo segue assim, com vícios e erros. Trataremos de exercer um controle para que não vá gente às mesas que não possa votar", disse à Agência Efe Carlos María Ljubetich, um ex-dirigente de alto escalão do TSJE e agora assessor da Aliança Patriótica para a Mudança (APC).

A APC, coalizão oposicionista liderada pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de centro-direita e segunda maior legenda do país, reúne ainda vários partidos minoritários e cerca de 30 grupos de esquerda e de organizações e movimentos sociais de massa.

O candidato da APC é o ex-bispo Fernando Lugo, que tem como vice em sua chapa o líder do PLRA, Luis Federico Franco Gómez.

A eleição deste domingo será decidida entre Lugo, Blanca Ovelar, do Partido Colorado, legenda que detém o poder há 61 anos, e o general reformado Lino Oviedo, à frente de um partido criado por ele, o União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace).

Não podem votar cidadãos fora do país, o que, segundo a oposição, faz com que o Governo duplique documentos de identidade dos emigrantes para utilizá-los em votos favoráveis aos candidatos da situação.

Os adversários do Partido Colorado lembram ainda o exemplo de um conhecido senador que teve sua cédula de votação reaproveitada por outra pessoa depois de morto.

Trata-se do também ex-ministro do Interior Julio César Fanego, que morreu em dezembro último mas tem seu registro eleitoral em poder "de outra pessoa", segundo disse à Efe o senador Juan Carlos Ramírez Montalbetti, do PLRA.

"Suspeitamos que milhares de cédulas foram clonadas, ou seja, foi aproveitado o número de registro de uma pessoa falecida ou ausente do país para que fosse atribuído a quem vive aqui", completou Montalbetti.

Com relação aos mortos que ainda integram o censo eleitoral, o senador criticou a infrutífera delegação de responsabilidades do TSJE depois da denúncia de que dezenas das 367 vítimas fatais do incêndio do supermercado Ycuá Bolaños, em Assunção, seguem registradas.

O TSJE argumentou que o Departamento de Registro Civil não lhe enviou cópias das certidões de óbito, mas este último assegura o contrário.

Além disso, o senador Miguel Carrizosa, do Partido Pátria Querida (PPQ), terceira maior legenda do país, afirmou durante uma sessão na Câmara Alta que detentos votaram nas eleições municipais de 2006.

O temor da oposição é reforçado por denúncias como as do ex-vice-presidente paraguaio Luis Castiglioni, que preferiu deixar a campanha eleitoral após afirmar que foi vítima de fraude em benefício da candidatura de Blanca Ovelar.

Castiglioni foi derrotado por Blanca nas primárias do Partido Colorado.

Para completar o alvoroço criado em torno de denúncias de fraude, o senador Carlos Mateo Balmelli (PLRA) disse que o médico Luis Federico Franco Gómez ganhou a disputa interna para a candidatura à Vice-Presidência na chapa de Lugo graças ao apoio de "mortos" e ausentes que "votaram" em um distrito eleitoral próximo a Assunção.

EFE lb/fr/mh

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