Harare, 5 dez (EFE).- O principal partido de oposição no Zimbábue, Movimento para a Mudança Democrática (MDC), comemorou hoje pedidos internacionais para que os países vizinhos expulsem do poder o presidente Robert Mugabe, há 28 anos no poder, mas se manifestou contra uma intervenção militar.

"Uma intervenção militar não é o que desejamos; só uma ação forte", disse o porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, em reação às declarações feitas na Europa pelo arcebispo anglicano emérito e Prêmio Nobel da Paz sul-africano Desmond Tutu e pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Chamisa não precisou, porém, o que seria esta "ação forte", nem como ela seria possível sem uma ação militar.

Em uma entrevista à televisão pública holandesa emitida ontem à noite, Tutu disse que os países vizinhos do Zimbábue devem intervir militarmente e depor Mugabe se ele se nega a deixar o poder, acrescentando que Mugabe deve ser acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) da ONU, com sede em Haia.

O bispo sul-africano foi apoiado hoje na Dinamarca por Condoleezza Rice, para quem os países que compõem a Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC) devem enfrentar Mugabe, de 84 anos, que governa o país desde sua independência, em 1980, e seu partido União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

"O povo do Zimbábue já sofreu o suficiente. Mas os Estados Unidos não pode atuar sem a ajuda dos países da região", declarou Rice em entrevista coletiva em Copenhague com o primeiro ministro dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen.

A crise econômica, política e social do Zimbábue, que começou em 2000, com uma reforma agrária de cunho racial forçada por Mugabe, tomando as terras de fazendeiros brancos, piorou drasticamente nas últimas semanas com uma epidemia de cólera na qual morreram já matou pelo menos 575 pessoas, dentre 12 mil infectados.

A economia do Zimbábue também está em um absoluto caos, sem provisão de alimentos e outras mercadorias essenciais, mais de 80% de desemprego e uma inflação astronômica, que oficialmente alcança os 231.000.000%, pela qual a moeda local perdeu totalmente seu valor e a população, seu poder aquisitivo.

A situação política também é instável após fracassar a implementação de um acordo entre Mugabe e o líder do MDC, Morgan Tsvangirai, para formar um Governo de união nacional.

Diversos países ocidentais, incluídos EUA e o Reino Unido, se negam a reconhecer a vitória de Mugabe na segunda rodada das eleições presidenciais realizadas em junho na qual o chefe de Estado concorreu sozinho, após o opositor Tsvangirai depois de mais de 200 seguidores do MDC serem assassinados durante a campanha por militantes da Zanu-PF.

Botsuana e Zâmbia criticaram Mugabe, mas os demais países da SADC adotaram uma atitude conciliatória e de apoio à mediação que conduziu a um acordo de unidade entre a Zanu-PF e o MDC em 29 de setembro, que, no entanto, apesar de assinado não foi implementado.

EFE rt/jp

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