Oposição na Índia pede renúncia do primeiro-ministro por acordo com EUA

Nova Délhi, 4 set (EFE) - O principal partido da oposição na Índia pediu hoje a renúncia imediata do primeiro-ministro, Manmohan Singh, por ter enganado o país sobre os termos do acordo de cooperação nuclear civil assinado com os Estados Unidos. Em entrevista coletiva, um líder do conservador Bharatiya Janata Party (BJP), Yashwant Sinha, acusou o Governo de ter usurpado os direitos do Parlamento com o acordo e exigiu uma sessão extraordinária para entrar com um recurso contra o primeiro-ministro. Sinha reagiu à publicação de uma carta enviada em janeiro pelo Governo dos Estados Unidos ao Congresso, com explicações sobre o acordo com a Índia, na qual garante que o suspenderá imediatamente se este país realizar um teste nuclear. Após a divulgação da carta, o Governo indiano afirmou que se guiará apenas pelos termos do acordo bilateral entre Índia e EUA, e pelo posterior convênio de defesa com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Além disso, Nova Délhi espera o fim das restrições do Grupo de Fornecedores Nucleares (NSG) nas reuniões de hoje e amanhã em Viena. Em relação ao assunto dos testes (nucleares), nossa postura é bem conhecida. Temos uma moratória unilateral.

EFE |

Isto se reflete na declaração conjunta" de julho de 2005 entre Washington e Nova Délhi, destacou o Ministério de Exteriores indiano em comunicado emitido na quarta-feira à noite.

No entanto, as explicações do Governo são insuficientes para o BJP, que as considerou "diametralmente opostas" às oferecidas pela Administração americana ao Congresso.

"Este e outros fatos foram deliberadamente ocultados pelo Governo liderado pelo (Partido do) Congresso e pela Administração (de George W.) Bush", denunciou o líder do BJP, segundo as agências "PTI" e "Ians".

Sinha acrescentou que a formação de Singh não teria recebido o voto de confiança do Parlamento em 22 de julho - ao qual foi submetido após perder o apoio de seus aliados comunistas pelo acordo com Washington - se essa carta tivesse se tornado pública antes.

"Os testes (nucleares) são apenas um dos elementos" que aparecem na carta como motivo para suspender o pacto nuclear, disse Sinha.

Os países do NSG reúnem-se novamente em Viena para decidirem se aprovam o pacto e acabam com as restrições ao comércio nuclear com a Índia, uma condição indispensável para que o Governo dos EUA possa ratificá-lo.

Alguns dos membros do NSG, que já se reuniram em 22 de agosto, expressaram suas dúvidas sobre um pacto que não obrigaria Nova Délhi a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) nem o de proibição dos testes atômicos. EFE amp/ab/db

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